Editores da série MOC Antonio C. Buzaid - Fernando C. Maluf - Carlos H. Barrios
|
Editor-convidado Caio Max S. Rocha Lima
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou, em 06 de agosto de 2026, uma nova indicação terapêutica para o trastuzumabe deruxtecana no tratamento neoadjuvante de pacientes com câncer de mama HER-2 positivo (imunohistoquímica 3+ ou teste de hibridização in situ positivo) em estágio II ou III. A decisão amplia o uso do anticorpo conjugado a droga (ADC) anti-HER-2 no Brasil, deslocando a ação multimodal do agente para o cenário curativo da doença inicial de alto risco, previamente dominado por regimes de quimioterapia baseados em antraciclinas e taxanos associados ao bloqueio anti-HER-2 duplo.

A eficácia e a segurança que embasaram a aprovação foram avaliadas no estudo de fase III DESTINY-Breast11, que incluiu 927 pacientes com câncer de mama HER-2 positivo em estágio inicial de alto risco (definido como ≥ cT3 cN0 ou cT0-4 cN1-3). As participantes foram randomizadas na proporção 1:1:1 para receber trastuzumabe deruxtecana em monoterapia por oito ciclos, trastuzumabe deruxtecana por quatro ciclos seguido de THP (paclitaxel, trastuzumabe e pertuzumabe) por quatro ciclos, ou doxorrubicina e ciclofosfamida em regime de dose densa (ddAC) por quatro ciclos seguido de THP por quatro ciclos, sendo o braço de trastuzumabe deruxtecana em monoterapia encerrado precocemente por recomendação do comitê independente de monitoramento de dados.

O desfecho primário foi a taxa de resposta patológica completa (ypT0/is ypN0), avaliada por revisão central independente e cega, tendo como desfechos secundários a sobrevida livre de eventos e a segurança. A idade mediana da população foi de 50 anos, sendo 88,7% com idade < 65 anos. Quanto à doença, 72,9% apresentavam doença com receptores hormonais positivos, 88,1% expressavam HER-2 por imunohistoquímica 3+, 50,4% tinham doença em estágio III e 88,7% apresentavam acometimento linfonodal.

A taxa de resposta patológica completa foi de 67,3% no braço com trastuzumabe deruxtecana seguido de THP versus 56,3% no braço ddAC-THP, correspondendo a uma diferença absoluta de 11,2% (p=0,003), com benefício consistente tanto no subgrupo com receptores hormonais positivos (61,4% versus 52,3%; diferença de 9,1%) quanto no subgrupo com receptores hormonais negativos (83,1% versus 67,1%; diferença de 16,1%). Em análise preliminar de sobrevida livre de eventos, observou-se menor número de eventos no braço experimental (HR=0,56; IC de 95%: 0,26-1,17), com mediana não alcançada em nenhum dos braços.

O perfil de segurança favoreceu os regimes contendo o ADC: eventos adversos de grau ≥ 3 ocorreram em 37,5% das pacientes tratadas com trastuzumabe deruxtecana seguido de THP versus 55,8% no braço ddAC-THP, com menor incidência de eventos adversos graves (10,6% versus 20,2%) e de disfunção ventricular esquerda de qualquer grau (1,3% versus 6,1%). A doença pulmonar intersticial/pneumonite adjudicada como relacionada ao tratamento apresentou taxas baixas e semelhantes entre os braços (4,4% no braço trastuzumabe deruxtecana-THP versus 5,1% no braço ddAC-THP). Os eventos adversos mais comuns (≥ 20%) no braço trastuzumabe deruxtecana-THP incluíram: náusea, diarreia, alopecia, fadiga, aumento de transaminases, constipação, neutropenia, vômitos, neuropatia periférica e anemia.

No regime avaliado, o trastuzumabe deruxtecana é administrado por via intravenosa na dose de 5,4 mg/kg a cada três semanas por quatro ciclos, seguido da sequência com THP, composta por paclitaxel 80 mg/m² semanal, trastuzumabe 6 mg/kg a cada três semanas e pertuzumabe (dose de ataque de 840 mg seguida de 420 mg a cada três semanas), por quatro ciclos adicionais no contexto neoadjuvante, devendo o tratamento ser mantido até a cirurgia, progressão da doença ou toxicidade limitante. Recomenda-se monitorização por tomografia computadorizada de tórax para vigilância de doença pulmonar intersticial/pneumonite e avaliação seriada da função ventricular esquerda ao longo do tratamento.

Compartilhe

Atenção: O conteúdo deste site destina-se exclusivamente a profissionais de saúde. Nunca tome medicamentos tarjados por conta própria; siga sempre as orientações de seu médico. Os autores e editores desta obra fizeram todo esforço para assegurar que as doses e as indicações dos fármacos, bem como dos procedimentos apresentados no texto, estivessem de acordo com os padrões vigentes à época da publicação. Em virtude dos constantes avanços da Medicina e de possíveis modificações regulamentares referentes aos fármacos e procedimentos apresentados, recomendamos que o usuário consulte sempre outras fontes fidedignas, de modo a se certificar de que as informações contidas neste site estão corretas. Isso é particularmente importante no caso de fármacos ou procedimentos novos ou pouco usados. Este site, para uso exclusivo por profissionais de saúde, é editado com objetivos educacionais, estando em conformidade com a resolução no. 097/2001 do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo. Responsável técnico: Dr. Antonio Carlos Buzaid, CRM-SP 45405. Nenhuma parte pode ser reproduzida ou transmitida sem a autorização dos autores. O conteúdo deste site é produzido de forma independente e autônoma, sem qualquer interferência das empresas/instituições apoiadoras ou patrocinadoras e sem que haja qualquer obrigação por parte de seus profissionais em relação à recomendação ou prescrição dos produtos/serviços eventualmente comercializados por quaisquer dessas empresas/instituiçõesCopyright © 2026 Antonio Carlos Buzaid. Desenvolvimento: DENDRIX CNPJ 05.371.865/0001-88
Dendrix