Em 24 de junho de 2026, o FDA
(Food and Drug Administration) aprovou duas novas indicações para o
sacituzumabe govitecana no tratamento de pacientes adultos com câncer de mama triplo-negativo (CMTN) irressecável, localmente avançado ou metastático, sem terapia sistêmica prévia para a doença avançada. A primeira indicação, respaldada pelo estudo ASCENT-03, autoriza o uso do
sacituzumabe govitecana em monoterapia para pacientes não candidatos a terapia baseada em inibidores de PD-1 ou PD-L1. A segunda indicação, sustentada pelo estudo ASCENT-04/KEYNOTE-D19, aprova o
sacituzumabe govitecana em combinação com
pembrolizumabe para pacientes cujos tumores expressem PD-L1 (CPS ≥ 10).
A indicação em monoterapia foi embasada no
ASCENT-03, estudo de fase III, internacional, aberto e randomizado, que incluiu 558 pacientes com CMTN avançado não candidatas a inibidores de PD-1/PD-L1, alocadas (1:1) para receber
sacituzumabe govitecana ou quimioterapia à escolha do investigador (
paclitaxel,
nab-paclitaxel ou
gencitabina associada a
carboplatina). A mediana de idade foi de 56
versus 54 anos, cerca de 30% apresentavam doença metastática ao diagnóstico inicial, enquanto 48% em cada braço tinham recidiva após 12 meses do tratamento com intenção curativa.
O desfecho primário, sobrevida livre de progressão por revisão central independente cega, favoreceu o
sacituzumabe govitecana, com mediana de 9,7
versus 6,9 meses (HR=0,62; IC de 95%: 0,50-0,77; p<0,001), e a taxa de resposta objetiva confirmada foi de 48%
versus 46%, com duração mediana de resposta de 12,2
versus 7,2 meses. Os dados de sobrevida global são imaturos, com mediana de 21,5
versus 20,2 meses. Eventos adversos de grau ≥ 3 ocorreram em 66% das pacientes tratadas com
sacituzumabe govitecana (neutropenia em 43%, diarreia em 9% e leucopenia em 7%)
versus 62% no braço quimioterápico (neutropenia em 41%, anemia em 16% e leucopenia em 13%), com descontinuação por evento adverso em 4%
versus 12%, respectivamente.
Já a indicação combinada baseou-se no
ASCENT-04/KEYNOTE-D19, estudo de fase III que incluiu 443 pacientes com PD-L1 CPS ≥ 10, randomizadas (1:1) para
sacituzumabe govitecana associado a
pembrolizumabe versus quimioterapia à escolha do investigador associada a
pembrolizumabe. A mediana de idade foi de 54
versus 55 anos, com 26% das pacientes em cada braço apresentando idade ≥ 65 anos. Em relação ao
status da doença, 34% apresentavam doença metastática ao diagnóstico inicial, 18% recidiva entre 6 e 12 meses após tratamento com intenção curativa e 48% recidiva após 12 meses.
A sobrevida livre de progressão foi de 11,2
versus 7,8 meses (HR=0,65; IC de 95%: 0,51-0,84; p=0,0009), com taxa de resposta objetiva de 60%
versus 53% e duração mediana de resposta de 16,5
versus 9,2 meses; a sobrevida global também permaneceu imatura em ambos os braços. Eventos adversos de grau ≥ 3 ocorreram em 71%
versus 70% das pacientes, com descontinuação em 12%
versus 31%, respectivamente.
O perfil de segurança do
sacituzumabe govitecana inclui alerta para neutropenia grave e diarreia, além de advertências para reações de hipersensibilidade e relacionadas à infusão, náusea, toxicidade em pacientes com atividade reduzida de UGT1A1 e toxicidade embriofetal. Quando associado ao
pembrolizumabe, somam-se as advertências próprias do imunoterápico para eventos adversos imunomediados, reações relacionadas à infusão, complicações de transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas e toxicidade embriofetal.