Editores da série MOC Antonio C. Buzaid - Fernando C. Maluf - Carlos H. Barrios
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Editor-convidado Caio Max S. Rocha Lima
Em 15 de maio de 2026, o Food and Drug Administration (FDA) aprovou o uso de trastuzumabe deruxtecana (T-DXd) em duas indicações distintas em adultos com câncer de mama HER-2 positivo em estádio inicial: tratamento neoadjuvante de adultos com doença HER-2 positiva (IHC 3+ ou ISH+) em estádio II ou III, seguido do esquema taxano, trastuzumabe e pertuzumabe (THP) , e tratamento adjuvante de adultos com câncer de mama HER-2 positivo com doença residual invasiva após neoadjuvância dirigida ao HER-2.

Em um curto intervalo de tempo, em 18 de maio de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou nova indicação terapêutica para o T-DXd no Brasil, desta vez em combinação com pertuzumabe para o tratamento de primeira linha de pacientes adultos com câncer de mama HER-2 positivo irressecável ou metastático.

O câncer de mama HER-2 positivo representa aproximadamente 20% dos casos da doença e está associado a comportamento clínico mais agressivo, maior risco de progressão e pior prognóstico nos estágios avançados, apesar dos avanços terapêuticos. Para as indicações em estádio inicial aprovadas pelo FDA, a eficácia neoadjuvante foi avaliada no DESTINY-Breast11 (N=927). A taxa de resposta patológica completa (pCR) foi de 67,3% com T-DXd-THP versus 56,3% com ddAC-THP (p=0,003). Para a indicação adjuvante, no DESTINY-Breast05 (N=1.635), a taxa de sobrevida livre de doença invasiva (SLDi) em 3 anos foi de 92,4% com T-DXd versus 83,7% com trastuzumabe emtansina (T-DM1) (HR=0,47; IC de 95%: 0,34-0,66; p<0,0001).

A aprovação pela ANVISA foi fundamentada nos resultados do DESTINY-Breast09, ensaio clínico de fase III, randomizado, multicêntrico e global, que avaliou a eficácia e segurança do T-DXd em combinação com pertuzumabe versus o regime padrão THP em 1.157 pacientes com câncer de mama HER-2 positivo avançado ou metastático sem tratamento sistêmico prévio para a doença avançada. A idade mediana dos participantes foi de 54 anos, com 52% apresentando doença metastática de novo, 54% com tumores hormônio-positivos e aproximadamente 70% com metástases viscerais. O desfecho primário de eficácia foi a sobrevida livre de progressão (SLP). A mediana de SLP foi de 40,7 meses no braço T-DXd + pertuzumabe versus 26,9 meses no braço THP, representando redução de 44% no risco de progressão ou morte (HR=0,56). Foram observadas ainda maiores taxas de resposta objetiva e maior duração de resposta no braço experimental, sem identificação de novos sinais de risco, perfil de segurança consistente com o já estabelecido para ambos os agentes.

Para a indicação de primeira linha no cenário metastático aprovada pela ANVISA, o T-DXd é administrado em combinação com pertuzumabe, via intravenosa, até progressão da doença ou toxicidade limitante, na dose de 5,4 mg/kg a cada três semanas conforme protocolo do DESTINY-Breast09. Para as indicações em estádio inicial aprovadas pelo FDA, a dose neoadjuvante é de 5,4 mg/kg a cada três semanas por quatro ciclos intravenosos, seguida de THP por quatro ciclos. Já no cenário adjuvante, a dose é de 5,4 mg/kg a cada três semanas por no máximo 14 ciclos, salvo recorrência ou toxicidade limitante.

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