Editores da série MOC Antonio C. Buzaid - Fernando C. Maluf - Carlos H. Barrios
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Editor-convidado Caio Max S. Rocha Lima
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou, em 06 de julho de 2026, uma nova indicação terapêutica para o trastuzumabe deruxtecana (T-DXd), destinada ao tratamento adjuvante de pacientes adultos com câncer de mama HER-2 positivo (IHQ 3+ ou ISH+) que apresentem doença invasiva residual após terapia neoadjuvante com trastuzumabe, com ou sem pertuzumabe, em associação à quimioterapia baseada em taxanos.

O embasamento clínico deriva do estudo de fase III DESTINY-Breast05, ensaio global, multicêntrico, randomizado e aberto, que incluiu 1.635 pacientes com câncer de mama HER-2 positivo e doença invasiva residual na mama e/ou em linfonodos axilares após quimioterapia neoadjuvante baseada em taxano e terapia anti-HER-2, todos com risco alto de recorrência, definido por: doença inoperável na apresentação (T4, N0-3, M0 ou T1-3, N2-3, M0) ou linfonodos axilares patologicamente positivos após o tratamento neoadjuvante.

As pacientes foram randomizadas na proporção 1:1 para receber trastuzumabe deruxtecana versus trastuzumabe entansina (T-DM1), ambos por via intravenosa a cada três semanas por até 14 ciclos, tendo como desfecho primário a sobrevida livre de doença invasiva (SLDi) avaliada pelo investigador e, como desfechos secundários, a sobrevida livre de doença, a sobrevida global e o intervalo livre de recorrência à distância.

A maioria dos pacientes permanecia com linfonodos patologicamente positivos após a neoadjuvância (braço T-DXd 80,7%, braço T-DM1 80,5%), tendo recebido radioterapia concomitante (53,5% versus 58,8%) ou sequencial (39,9% versus 34,1%), com duração mediana de estudo em torno de 29,9 meses. Na análise interina, eventos de doença invasiva ou óbito ocorreram em 51 pacientes (6,2%) no braço T-DXd versus 102 (12,5%) no braço T-DM1, correspondendo a redução de 53% no risco de recorrência invasiva ou morte (HR=0,47; IC de 95%: 0,34-0,66; p<0,001) e a uma diferença absoluta de quase 9% na SLDi em 3 anos (92,4% versus 83,7%).

O benefício foi consistente entre os subgrupos e acompanhado de melhora no intervalo livre de recorrência à distância (93,9% versus 86,1%; HR=0,49; IC de 95%: 0,34-0,71), enquanto a sobrevida global permanece imatura (HR=0,61; IC de 95%: 0,43-1,10) e menor número de recorrências no sistema nervoso central (17 versus 26 pacientes). Quanto à segurança, a taxa de eventos adversos de grau ≥ 3 foi de 50,6% com T-DXd e 51,9% com T-DM1. A doença pulmonar intersticial/pneumonite relacionada ao fármaco, adjudicada, ocorreu em 9,6% dos pacientes tratados com T-DXd (com dois óbitos), sendo esse o risco importante identificado do medicamento, ao lado de náuseas (grau 2/3 em 27,8%/4,5%) e toxicidades hematológicas e gastrointestinais.

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