Editores da série MOC Antonio C. Buzaid - Fernando C. Maluf - Carlos H. Barrios
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Editor-convidado Caio Max S. Rocha Lima
Em 24 de junho de 2026, o Food and Drug Administration (FDA) aprovou o palbociclibe, inibidor seletivo das quinases dependentes de ciclina 4 e 6 (CDK4/6), em combinação com trastuzumabe, com ou sem pertuzumabe, e terapia endócrina (fulvestranto ou um inibidor de aromatase), para o tratamento de manutenção de pacientes adultos com câncer de mama localmente avançado ou metastático com receptor hormonal positivo (RH positivo) e HER-2 positivo, sem evidência de progressão de doença após tratamento de indução.

A eficácia e a segurança foram avaliadas no estudo de fase III PATINA, randomizado, aberto e conduzido em 123 centros de oito países, que incluiu 518 pacientes com câncer de mama RH positivo, HER-2 positivo localmente avançado ou metastático sem progressão após quatro a oito ciclos de quimioterapia de indução baseada em taxano associada a trastuzumabe, com ou sem pertuzumabe. Os pacientes foram randomizados na proporção 1:1 para receber terapia de manutenção anti-HER-2 e endócrina com palbociclibe (n=261) ou sem palbociclibe (n=257). A idade mediana foi de 53,4 anos, 99,4% dos pacientes eram do sexo feminino e 61,8% encontravam-se na pós-menopausa. A doença apresentava lesão visceral em 73,6% dos casos e metástases no sistema nervoso central em 3,9%, sendo que 54,4% tinham doença metastática de novo e 32,6% haviam recebido terapia anti-HER-2 prévia em contexto neoadjuvante ou adjuvante.

Ao final da indução, 70,1% dos pacientes apresentavam resposta completa ou parcial e 29,3% doença estável, além disso, 94,0% haviam recebido bloqueio anti-HER-2 duplo e 90,7% utilizaram inibidor de aromatase como terapia endócrina. Após seguimento mediano de 53,5 meses, a mediana de sobrevida livre de progressão foi de 44,3 versus 29,1 meses, favorecendo o braço com palbociclibe (HR=0,75; IC de 95%: 0,59-0,96; p=0,02), com taxas estimadas de sobrevida livre de progressão em 12, 24 e 48 meses de 84,9%, 65,2% e 46,5%, respectivamente, versus 73,2%, 55,3% e 38,3% no braço padrão. A taxa de resposta objetiva confirmada foi de 32,9% versus 24,8% e o benefício clínico de 88,9% versus 80,9%, ambos favorecendo o palbociclibe. Os dados de sobrevida global são imaturos na análise (HR=0,86; IC de 95%: 0,61-1,23).

Eventos adversos de qualquer grau ocorreram em 100% dos pacientes do braço palbociclibe e em 94,4% do braço padrão. Eventos adversos de grau 3 foram mais que o dobro no braço experimental (79,7% versus 30,6%), principalmente por neutropenia (grau ≥3 em 60,5% versus 2,0%) e diarreia (grau ≥3 em 9,6% versus 1,2%); eventos de grau 4 ocorreram em 10,0% versus 3,6%. Eventos adversos graves foram relatados em 28,7% versus 21,8% dos pacientes, com redução de dose em 57,7% e descontinuação por evento adverso em 18,0% do braço palbociclibe. Não houve óbitos considerados relacionados ao tratamento em nenhum dos braços.

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