Em 20 de julho de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou uma nova indicação terapêutica para o
pembrolizumabe em combinação com
belzutifano, no tratamento adjuvante de pacientes adultos com carcinoma de células renais com componente de células claras (ccRCC) e risco intermediário-alto ou alto de recorrência após nefrectomia, ou após nefrectomia e ressecção de lesões metastáticas. O carcinoma de células renais responde por cerca de 85% das neoplasias renais e cursa com risco relevante de recorrência mesmo após cirurgia com intenção curativa. Ainda que o
pembrolizumabe em monoterapia já constitua padrão adjuvante nesse cenário, estima-se que aproximadamente 40% dos pacientes de risco intermediário-alto ou alto possam apresentar recidiva da doença após a nefrectomia, o que sustenta a contínua busca por estratégias mais eficazes.
A eficácia e a segurança da combinação foram avaliadas no estudo de fase III
LITESPARK-022, que incluiu 1.841 pacientes com ccRCC submetidos a nefrectomia prévia e classificados como risco intermediário-alto (pT2 grau 4 ou sarcomatoide, ou pT3 de qualquer grau, N0) ou alto (pT4 de qualquer grau, N0, ou qualquer pT/grau, N+), além de pacientes com doença M1 sem evidência de doença (M1 NED) após a cirurgia de metastasectomia realizada dentro de 24 meses desde a nefrectomia. Os participantes foram randomizados na proporção 1:1 para receber
pembrolizumabe associado a
belzutifano (n=921)
versus pembrolizumabe associado a placebo (n=920), tendo como desfecho primário a sobrevida livre de doença (SLD) avaliada pelo investigador e, como desfecho secundário-chave, a sobrevida global. As características demográficas foram equilibradas entre os braços, com cerca de 85% dos pacientes em categorias de risco intermediário-alto/alto e aproximadamente 10% com componente sarcomatoide.
Após seguimento mediano de 28,4 meses, a combinação reduziu em 28% o risco de recorrência ou morte (HR=0,72; IC de 95%: 0,59-0,87; p=0,0003), com mediana de SLD não alcançada em ambos os braços e taxa estimada de SLD em 24 meses de 80,7%
versus 73,7%, favorecendo o braço experimental. Na primeira análise interina, a sobrevida global permanecia imatura, com apenas 87 eventos e sem significância estatística (HR=0,78; IC de 95%: 0,51-1,19; p=0,1220), porém sem sinal de prejuízo à sobrevida associado à combinação. Eventos adversos emergentes do tratamento de grau ≥ 3 ocorreram em 52,1% dos pacientes no braço com
belzutifano versus 30,2% no braço controle, sendo os mais frequentes anemia (12,1%
versus 0,4%), elevação de TGP (6,4%
versus 2,0%) e hipóxia (4,6%
versus 0%). A bula do
belzutifano contempla tarja preta para toxicidade embriofetal e advertências para anemia e hipóxia, enquanto a do
pembrolizumabe mantém alertas para eventos adversos imunomediados, reações relacionadas à infusão, complicações de transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas e toxicidade embriofetal.
O tratamento com
pembrolizumabe deve ser mantido até recorrência da doença, toxicidade limitante ou por até 12 meses, ao passo que o
belzutifano é administrado até recorrência, toxicidade limitante ou por até 54 semanas, com monitorização clínica e laboratorial adequada, sobretudo para detecção precoce de anemia e hipóxia.