Editores da série MOC Antonio C. Buzaid - Fernando C. Maluf - Carlos H. Barrios
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Editor-convidado Caio Max S. Rocha Lima
Em 1º de junho de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou a associação de enfortumabe vedotina em combinação com pembrolizumabe como tratamento perioperatório com a cirurgia para pacientes adultos com câncer de bexiga músculo-invasivo (CBMI) ressecável que não são elegíveis para quimioterapia à base de cisplatina.

A aprovação baseou-se nos dados do estudo EV-303 / KEYNOTE-905, ensaio clínico de fase III, multicêntrico, aberto e randomizado, com três braços, controlado, que avaliou o tratamento neoadjuvante e adjuvante com enfortumabe vedotina em combinação com pembrolizumabe (braço C), ou pembrolizumabe em monoterapia (braço A), versus cirurgia isolada (braço B) em pacientes com CBMI inelegíveis para quimioterapia à base de cisplatina ou que recusaram este tratamento.

O desfecho primário foi a sobrevida livre de eventos (SLE) entre o braço C e o braço B, definida como o tempo desde a randomização até o primeiro evento entre: progressão que inviabilizou cistectomia radical, doença residual macroscópica após cirurgia, recorrência local ou à distância, ou morte por qualquer causa.

Os desfechos secundários incluíram sobrevida global (SG) e taxa de resposta patológica completa (pCR). O braço com pembrolizumabe monoterapia perioperatório foi encerrado precocemente por futilidade.

A mediana de idade dos pacientes foi de 73 anos, 78% eram do sexo masculino e 57% apresentavam ECOG 0. Em relação ao estadiamento, 18% eram T2N0, 77% T3/T4aN0 e 4,9% T1-T4aN1. Entre os 281 pacientes inelegíveis para cisplatina, 72% tinham clearance de creatinina basal entre 30 e 59 mL/min, 17% apresentavam ECOG 2, 21% tinham perda auditiva grau ≥ 2, 3,9% insuficiência cardíaca classe III da NYHA e 13% preenchiam mais de um critério de inelegibilidade para cisplatina. Quanto ao subtipo histológico, 91% apresentavam carcinoma urotelial puro, 4,4% carcinoma urotelial com diferenciação escamosa, 2,6% com diferenciação glandular e 2% com outras variantes histológicas. Na população total, 149 pacientes (88%) do braço combinado e 156 pacientes (90%) do braço cirurgia primária foram submetidos a cistectomia radical e linfadenectomia pélvica.

Os resultados demonstraram que a combinação de enfortumabe vedotina mais pembrolizumabe reduziu o risco de recorrência tumoral, progressão ou morte em 60% em relação à cirurgia isolada (HR=0,40; IC de 95%: 0,28-0,57; p<0,0001), e reduziu o risco de morte em 50% (HR=0,50; IC de 95%: 0,33-0,74; p=0,0002). A taxa de resposta patológica completa também foi superior no braço combinado (57,1% versus 8,6%; p<0,0001). O perfil de eventos adversos foi consistente com a experiência prévia de cada medicamento; os eventos adversos mais frequentes (≥3 0%) relacionados ao tratamento foram prurido, alopecia, diarreia, fadiga e anemia, sem novos sinais de segurança identificados.

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