Editores da série MOC Antonio C. Buzaid - Fernando C. Maluf - Carlos H. Barrios
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Editor-convidado Caio Max S. Rocha Lima
Em 30 de junho de 2026, o Food and Drug Administration (FDA) aprovou a imunoterapia alogênica baseada em células T reguladoras, associada a células-tronco e progenitoras hematopoéticas (HSPC) e células T (Orca-T), para uso em transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) com doador compatível e regime de condicionamento mieloablativo, com o objetivo de promover reconstituição hematopoética e imunológica e melhorar a sobrevida livre de doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH) crônica, em pacientes adultos com neoplasias hematológicas malignas.

A eficácia e a segurança foram avaliadas no estudo Precision-T, um ensaio clínico multicêntrico, aberto, randomizado e controlado, conduzido em pacientes adultos com leucemias agudas ou síndrome mielodisplásica (SMD). No total, 187 pacientes foram randomizados para receber Orca-T (n=93), seguido de profilaxia de DECH em agente único com tacrolimo, ou aloenxerto não manipulado (n=94), seguido de profilaxia de DECH com tacrolimo e metotrexato.

O desfecho primário de eficácia foi a sobrevida livre de DECH crônica (cGFS), definida como o tempo entre o TCTH e a morte por qualquer causa ou o desenvolvimento de DECH crônica moderada a grave, graduada conforme os critérios de consenso do National Institutes of Health e determinada por comitê independente e cego de adjudicação de desfechos.

A mediana de cGFS não foi alcançada no braço Orca-T versus 7,3 meses no braço controle (HR=0,26; IC de 95%: 0,14-0,47; p<0,00001). A incidência cumulativa estimada de DECH crônica moderada a grave em 12 meses foi de 12,6% no braço Orca-T e de 44,0% no braço controle com aloenxerto não manipulado (HR=0,19; IC de 95%: 0,08-0,43; p=0,00002). Todos os 88 pacientes (100%) tratados com Orca-T e avaliáveis atingiram contagem de neutrófilos ≥ 500/mm³ dentro de 28 dias após a infusão, sendo que 53 pacientes (60,2%) apresentaram contagens acima de 500/mm³ em três dias consecutivos, confirmando a recuperação neutrofílica no período.

Os eventos adversos mais comuns (incidência ≥ 20%) foram mucosite, diarreia, rash cutâneo, infecções virais, infecções não especificadas, dor abdominal, vômitos, náuseas, infecções bacterianas, hemorragia, DECH aguda, edema e infecções fúngicas. A bula inclui advertências e precauções para falha de enxertia, DECH, reações relacionadas à infusão, neoplasias secundárias e neoplasias de origem do doador, além do risco de transmissão de agentes infecciosos.

Orca-T é composto por três componentes celulares administrados sequencialmente por via intravenosa: células-tronco e progenitoras hematopoéticas, em dose-alvo ≥ 1,0 x 10⁶ células viáveis/kg, e células T reguladoras, em dose-alvo de 1,3 x 10⁶ a 3,5 x 10⁶ células viáveis/kg, ambas administradas no dia 0, seguidas de células T convencionais, em dose-alvo de 1,3 x 10⁶ a 6,9 x 10⁶ células viáveis/kg, administradas entre os dias +2 e +3, no contexto de TCTH alogênico com regime de condicionamento mieloablativo.

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