Em 25 de agosto de 2026, o FDA
(Food and Drug Administration) aprovou o
zanidatamabe, anticorpo biparatópico (ADC biespecífico) dirigido ao HER2, em dois esquemas de primeira linha para adultos com câncer gástrico, câncer da junção gastroesofágica ou adenocarcinoma esofágico localmente avançado irressecável ou metastático HER-2 positivo. A aprovação abrange a combinação de
zanidatamabe com
tislelizumabe e quimioterapia contendo
fluoropirimidina e platina para tumores HER-2 positivos (imunohistoquímica [IHQ] 3+ e IHQ 2+ com teste de hibridização
in situ [ISH] positivo), bem como a combinação de
zanidatamabe com quimioterapia isolada para tumores HER-2 IHQ 3+.
A aprovação foi baseada nos dados do estudo de fase III
HERIZON-GEA-01, que randomizou pacientes com câncer gástrico, câncer da junção gastroesofágica ou adenocarcinoma esofágico localmente avançado irressecável ou metastático HER-2 positivo entre três braços de tratamento: o braço A com
trastuzumabe associado a
CAPOX (
capecitabina e
oxaliplatina) ou
FP (
5-fluorouracil e
platina), o braço B com
zanidatamabe associado a
CAPOX ou
FP, ou o braço C com
zanidatamabe combinado a
tislelizumabe e
CAPOX ou
FP.
Na comparação do braço C com o braço A, observou-se benefício estatisticamente significativo na sobrevida global, com mediana de 26,4
versus 19,2 meses (HR 0,72; IC de 95%: 0,57-0,90; p=0,0043), e na sobrevida livre de progressão, com medianas de 12,4
versus 8,1 meses (HR=0,63; IC de 95%: 0,51-0,78; p<0,0001), com benefício consistente entre os principais subgrupos, independentemente do
status de PD-L1. O braço B demonstrou benefício estatisticamente significativo na sobrevida livre de progressão em comparação ao braço A. Na análise interina, não houve diferença estatisticamente significativa na sobrevida global. Em análise exploratória, o efeito do tratamento observado no braço B foi atribuído predominantemente ao subgrupo de pacientes com tumores HER-2 IHQ 3+, com sobrevida livre de progressão mediana de 14,2
versus 7,6 meses (HR=0,55; IC de 95%: 0,43-0,69).
No perfil de segurança, os eventos adversos mais comuns (≥ 20%) foram: diarreia (79%), náusea (54%), vômitos (44%), apetite diminuído (40%), fadiga (36%), hipocalemia (33%), neuropatia periférica (32%), reações à infusão (25%) e
rash cutâneo (22%). A diarreia, evento adverso mais frequente, ocorreu predominantemente no início do tratamento e foi manejada com profilaxia com
loperamida no primeiro ciclo, além de antidiarreicos e ajustes de tratamento conforme necessário.
Quanto à posologia, o zanidatamabe é administrado por via intravenosa em dose fixa ajustada ao peso corporal: 1.800 mg, a cada três semanas, para pacientes com peso < 70 kg e 2.400 mg, a cada três semanas, para pacientes com peso ≥ 70 kg, mantido em associação aos demais componentes do esquema até a progressão da doença ou toxicidade limitante.