Em 14 de julho de 2026, a
Food and Drug Administration (FDA) aprovou o
gedatolisibe em combinação a
fulvestranto, com ou sem
palbociclibe, para o tratamento de pacientes com câncer de mama com receptor hormonal positivo (RH positivo) e HER-2 negativo localmente avançado ou metastático, sem mutação de PIK3CA detectada, que apresentaram progressão durante ou após pelo menos uma linha de terapia endócrina no cenário metastático.
O
gedatolisibe é um inibidor pan-PI3K/mTOR de administração intravenosa, ampliando as opções para a população de tumores luminais sem mutação de PIK3CA, na qual o alvo terapêutico dessa via ainda era limitado.
A eficácia foi avaliada no estudo
VIKTORIA-1, um estudo aberto, randomizado e multicêntrico que incluiu 392 adultos com câncer de mama HR positivo, HER-2 negativo, localmente avançado (inoperável) ou metastático. As pacientes foram randomizadas na proporção 1:1:1 para receber
gedatolisibe em combinação com
fulvestranto e
palbociclibe (Braço A),
gedatolisibe em combinação com
fulvestranto (Braço B) ou
fulvestranto isolado (Braço C), com tratamento mantido até progressão da doença ou toxicidade limitante.
O objetivo principal foi a sobrevida livre de progressão (SLP) avaliada por revisão central independente cega segundo o RECIST v1.1. A mediana de idade foi de 57 anos nos dois braços com
gedatolisibe e de 54 anos no grupo controle. Quase todos os participantes eram do sexo feminino e a maioria encontrava-se na pós-menopausa. Todas as pacientes apresentavam doença em estágio IV na entrada do estudo, cerca de 40% já tinham câncer de mama avançado ao diagnóstico inicial e aproximadamente 80% apresentavam comprometimento visceral. No contexto neo/adjuvante, cerca de um quarto havia recebido quimioterapia e aproximadamente 40%, terapia endócrina. Para a doença avançada, 87% tinham recebido uma linha prévia de terapia endócrina e 10% duas linhas. Adicionalmente, todas haviam sido previamente expostas a um inibidor de CDK4/6 para a doença avançada, principalmente
ribociclibe ou
palbociclibe, com menor utilização de
abemaciclibe, sendo a mediana de duração desse tratamento anterior entre 18,1 a 21,7 meses.
Houve benefício estatisticamente significativo a favor do Braço A em comparação ao Braço C, com SLP apresentando medianas de 9,3 contra 2,0 meses (HR=0,24; IC de 95%: 0,17-0,35; p<0,0001), e também a favor do Braço B
versus o Braço C, com SLP mediana de 7,4 contra 2,0 meses (HR=0,33; IC de 95%: 0,24-0,48; p<0,0001). A taxa de resposta objetiva em pacientes com doença mensurável foi de 32% no Braço A, 28% no Braço B e 1% no Braço C, e a duração mediana de resposta foi de 17,5 meses, 12,0 meses e não estimável, respectivamente. No momento da análise de sobrevida livre de progressão, os dados de sobrevida global ainda eram imaturos, com 25% de óbitos na população geral.
Estomatite foi o evento adverso mais frequente nos braços com
gedatolisibe, registrada em 69,2% das pacientes na combinação tripla e em 56,9% no regime com
gedatolisibe e
fulvestranto, com eventos de grau 3 em 19,2% e 12,3%, respectivamente. Náuseas também foram comuns nos dois grupos (incidências de 43,8% e 43,1%), seguida por
rash cutâneo (27,7% e 32,3%), vômitos (27,7% e 23,1%), fadiga (22,3% e 20,8%) e diarreia (16,9% e 12,3%). A hiperglicemia ocorreu em 9,2% das pacientes que receberam a combinação tripla e em 11,5% daquelas tratadas com
gedatolisibe e
fulvestranto, sendo classificada como grau 3 em 2,3% de cada grupo e sem eventos de grau 4. A neutropenia foi particularmente associada à inclusão de
palbociclibe, alcançando 65,4% no braço triplo, com eventos de grau 3 em 52,3% e de grau 4 em 10,0%, em comparação com 1,5% no braço de
gedatolisibe e
fulvestranto e 0,8% no grupo de
fulvestranto. Pneumonite ocorreu em 3,1% com o regime triplo e em 3,8% com
gedatolisibe e
fulvestranto, incluindo eventos de graus 3 e 4 em 0,8% cada neste último braço.
A dose recomendada é de
gedatolisibe , 180 mg via intravenosa, uma vez por semana, nos D1, D8 e D15 de cada ciclo de 28 dias, em combinação com
fulvestranto, com ou sem
palbociclibe.