Em 31 de agosto de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou o registro do
fruquintinibe para o tratamento de pacientes adultos com câncer colorretal metastático previamente tratados com quimioterapia à base de
fluoropirimidina,
oxaliplatina e
irinotecano, com terapia anti-VEGF e terapia anti-EGFR, quando RAS de tipo selvagem e clinicamente apropriado. O
fruquintinibe é um inibidor de tirosina quinase altamente seletivo dos receptores do fator de crescimento do endotélio vascular (VEGFR-1, -2 e -3), bloqueando de forma específica a via que estimula a angiogênese tumoral e, assim, restringindo o suprimento sanguíneo do tumor.
O registro aprovado apoiou-se no estudo de fase III
FRESCO-2 que avaliou 691 pacientes com câncer colorretal metastático refratário e amplamente pré-tratados e foram randomizados para receber
fruquintinibe associado aos melhores cuidados de suporte ou placebo associado aos melhores cuidados de suporte. A mediana de idade foi de 64 anos em ambos os braços, com cerca de metade dos pacientes com mulheres no braço
fruquintinibe (47%) e proporção menor no braço placebo (39%). O ECOG era 0-1 em praticamente toda a coorte, com discreto predomínio de ECOG 1 (57% e 56%). Quanto à doença de base, o sítio primário mais comum foi cólon esquerdo (42% e 40%), seguido de reto (31% e 30%). Metástases hepáticas estavam presentes na maioria (74% e 68%), e a doença metastática já apresentava duração ≥ 18 meses em quase toda a população (92% e 94%). O
status RAS era mutado em 63% dos pacientes em ambos os braços, BRAF V600E mutado era raro (2% e 4%), e a esmagadora maioria apresentava tumores MSS/pMMR (93% em ambos os grupos), refletindo o perfil molecular tipicamente refratário à imunoterapia dessa população. Tratava-se de uma coorte fortemente pré-tratada: mediana de 4 linhas terapêuticas prévias, com 73% e 72% dos pacientes tendo recebido mais de 3 linhas. Praticamente todos haviam sido expostos a inibidor de VEGF (97% e 96%) e cerca de um terço a inibidor de EGFR (39% e 38%). Exposição prévia a
trifluridina-tipiracila ou
regorafenibe ocorreu em torno de 90% dos pacientes em ambos os braços.
O desfecho primário foi a sobrevida global, que teve mediana de 7,4 meses no grupo do
fruquintinibe versus 4,8 meses no grupo placebo, correspondendo a uma redução de 34% no risco de morte (HR=0,66; IC de 95%: 0,55-0,8; p<0,0001). A sobrevida livre de progressão mediana também foi superior, passando de 1,8 mês no grupo placebo para 3,7 meses com o
fruquintinibe (HR=0,32; IC de 95%: 0,27-0,39; p<0,0001). Entre os eventos adversos mais frequentemente relatados no FRESCO-2 destacaram-se hipertensão arterial, astenia e síndrome mão-pé.
A posologia estabelecida para o
fruquintinibe é de 5 mg, via oral, uma vez ao dia, durante 21 dias consecutivos, seguidos de 7 dias sem tratamento, em ciclos de 28 dias, mantendo-se o esquema até a progressão da doença ou toxicidade limitante.