Em 25 de março de 2026, o Food and Drug Administration (FDA) aprovou o relacorilanto, um antagonista seletivo do receptor de glicocorticoide, em combinação com nab-paclitaxel, para o tratamento de pacientes adultas com carcinoma epitelial de ovário, tubas uterinas ou peritoneal primário resistente à platina, que tenham recebido de 1 a 3 regimes sistêmicos prévios, dos quais ao menos 1 tenha incluído bevacizumabe. A decisão regulatória representa a primeira aprovação oncológica de um antagonista seletivo do receptor de glicocorticoide, respondendo a uma necessidade terapêutica relevante: a sobrevida global de pacientes com carcinoma de ovário resistente à platina permanece historicamente inferior a 16 meses com as estratégias disponíveis.
A eficácia e a segurança foram avaliadas no estudo ROSELLA (GOG-3073/ENGOT-ov72), um ensaio clínico de fase III, randomizado, controlado e aberto, conduzido em 117 centros de 14 países. O estudo incluiu 381 pacientes com carcinoma epitelial de ovário de alto grau (seroso, endometrioide ou carcinossarcoma com ≥ 30% de componente epitelial), tubas uterinas ou peritoneal primário resistente à platina, com ≤ 3 linhas sistêmicas prévias e exposição prévia obrigatória ao bevacizumabe. Foram excluídas pacientes com necessidade de uso crônico ou frequente de corticosteroides sistêmicos. As participantes foram randomizadas 1:1 para receber relacorilanto + nab-paclitaxel (n=188) ou nab-paclitaxel em monoterapia (n=193). A mediana de idade foi de 61 anos no braço experimental e de 62 anos no braço controle, com 38% e 41% das pacientes com ≥ 65 anos, respectivamente. O status de desempenho ECOG era 0 em 72% e 1 em 28% das pacientes no braço experimental. Em relação ao estadiamento inicial, 59% apresentavam doença em estágio I-III e 35% em estágio IV. Mutações em BRCA1 ou BRCA2 foram identificadas em 12% das pacientes. Quanto às terapias prévias, 8% haviam recebido uma linha sistêmica anterior, 49% duas linhas e 43% três linhas. Adicionalmente, 100% tinham recebido bevacizumabe e 99% um taxano previamente, além de 61% com exposição a inibidores de PARP. Os desfechos primários duais foram a sobrevida livre de progressão (SLP) e a sobrevida global.
A SLP mediana foi de 6,5 meses no braço com relacorilanto + nab-paclitaxel versus 5,5 meses no braço controle (HR=0,70; IC de 95%: 0,54-0,91; p=0,0076). Na análise interina de sobrevida global, com seguimento mediano de 13,9 meses, a sobrevida global mediana foi de 16,0 versus 11,5 meses (HR=0,69; IC de 95%: 0,52-0,92; p=0,0121), com 60% das pacientes vivas no braço experimental aos 12 meses, em comparação a 49% no braço controle. A taxa de benefício clínico em 24 semanas também foi superior no braço com relacorilanto (51,1% versus 38,9%; p=0,016).
Quanto ao perfil de segurança, eventos adversos de grau ≥ 3 ocorreram em 74% das pacientes no braço experimental versus 59% no controle, e eventos adversos graves em 35% versus 24%, respectivamente. Os eventos adversos mais frequentes (≥ 20%) foram: neutropenia (64% versus 49%), anemia (61% versus 55%), fadiga (53% versus 45%), náusea (44% versus 35%), diarreia (39% versus 27%), alopecia (38% versus 31%), constipação (32% versus 27%), dor abdominal (29% versus 28%), vômito (26% versus 23%) e redução do apetite (22% versus 12%). A descontinuação por eventos adversos foi semelhante entre os grupos (9% versus 8%). A bula inclui contraindicação para pacientes que necessitem de corticosteroides por indicação vital, além de alertas e precauções para neutropenia e infecções graves, insuficiência adrenal, exacerbação de condições tratadas com glicocorticoides e toxicidade embriofetal.
A posologia recomendada de relacorilanto é de 150 mg, via oral, uma vez ao dia, no dia anterior, no dia e no dia seguinte a cada infusão de nab-paclitaxel, mantendo-se o tratamento até progressão da doença ou toxicidade limitante. A dose recomendada de nab-paclitaxel é de 80 mg/m², via intravenosa, nos D1, D8 e D15 de cada ciclo de 28 dias, igualmente até progressão ou toxicidade limitante. Cabe destacar que a dose de nab-paclitaxel na combinação foi reduzida em relação ao braço controle (80 mg/m² versus 100 mg/m²) em razão da inibição do CYP3A4 pelo relacorilanto, com dados farmacocinéticos de fase II demonstrando exposição comparável entre os esquemas.
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