Em 07 de outubro de 2026, o
Food and Drug Administration (FDA) aprovou o
tucatinibe, em combinação com
trastuzumabe e
pertuzumabe, para o tratamento de manutenção de pacientes adultos com câncer de mama HER-2 positivo irressecável, localmente avançado ou metastático, após o tratamento de indução.
A aprovação baseou-se no estudo randomizado de fase III
HER2CLIMB-05, no qual 654 pacientes foram randomizadas 1:1 para
tucatinibe (n=326) ou placebo (n=328), ambos associados a
trastuzumabe e
pertuzumabe. A randomização foi estratificada por diagnóstico (de novo ou recorrente), status do receptor hormonal e presença ou história de metástases cerebrais. Eram elegíveis pacientes com tumores HER-2 positivo sem progressão após 4 a 8 ciclos de indução com
trastuzumabe,
pertuzumabe e
taxano. Todas as pacientes eram mulheres, com mediana de idade de 54 anos, sendo 16,5% com ≥ 65 anos. A maioria apresentava ECOG 0 (64,1%) e doença de novo (69,3%), 52,6% tinham tumores com receptor hormonal positivo, 56,0% tinham doença visceral e 12,4% tinham metástases cerebrais presentes ou prévias. Quanto ao tratamento, 27,2% haviam recebido terapia sistêmica (neo)adjuvante, e a melhor resposta à indução foi resposta completa em 9,5%, resposta parcial em 63,0% e doença estável em 23,2%.
Com seguimento mediano de 22,6 meses no braço do
tucatinibe e 22,7 meses no placebo, a mediana de sobrevida livre de progressão foi de 24,9
versus 16,3 meses (HR=0,641; IC de 95%: 0,514-0,799; p < 0,0001), representando redução relativa de 36% no risco de progressão ou morte. A análise por revisão central independente cega foi consistente (HR=0,654; IC de 95%: 0,517-0,828; medianas de 28,9
versus 16,0 meses), assim como a de todos os subgrupos pré-especificados, incluindo pacientes com receptor hormonal negativo (HR=0,554) e positivo (HR=0,725).
Entre os desfechos secundários, a sobrevida global ainda era imatura, com 51 óbitos e HR=0,539 (IC de 95%: 0,303-0,957), sem significância estatística. A mediana de sobrevida livre de progressão do sistema nervoso central não foi atingida em nenhum dos braços (HR=0,846; IC de 95%: 0,616-1,162). Entre as pacientes com metástases cerebrais no
baseline, esse desfecho foi de 8,5
versus 4,3 meses (HR=0,719; IC de 95%: 0,406-1,273). Quanto à segurança, os eventos adversos mais frequentes com
tucatinibe foram diarreia (72,7%), náusea (33,1%), elevação de ALT (28,2%), elevação de AST (25,8%), artralgia (20,6%) e fadiga (20,6%). Eventos adversos de graus ≥ 3 ocorreram em 42,3% das pacientes no braço do
tucatinibe e 24,4% no placebo. Eventos adversos graves ocorreram em 16,9% e 13,8% das pacientes do braço do
tucatinibe descontinuaram algum tratamento do estudo por eventos adversos (4,6% no placebo).
O
tucatinibe é administrado por via oral, na dose de 300 mg duas vezes ao dia, em associação com
trastuzumabe e
pertuzumabe, até a progressão da doença ou toxicidade limitante. No estudo, o
trastuzumabe foi usado na dose de 6 mg/kg, via intravenosa, ou 600 mg, via subcutânea, e o
pertuzumabe na dose de 420 mg, via intravenosa, a cada 21 dias, ou em combinação de dose fixa subcutânea de
trastuzumabe (600 mg),
pertuzumabe (600 mg) e
hialuronidase (20.000 unidades) a cada 21 dias. A terapia endócrina foi permitida, mas não obrigatória, em pacientes com tumores com receptor hormonal positivo.