Editores da série MOC Antonio C. Buzaid - Fernando C. Maluf - Carlos H. Barrios
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Editor-convidado Caio Max S. Rocha Lima
Em 13 de abril de 2026, a Revolution Medicines® anunciou em press release os resultados positivos do estudo de fase III RASolute 302, avaliando o daraxonrasibe em monoterapia em pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático metastático previamente tratado.

Trata-se de um inibidor oral, não-covalente e multisseletivo de proteínas RAS, pertencente a uma nova classe de agentes desenvolvidos para suprimir a sinalização de RAS mediante bloqueio da interação entre proteínas RAS (tanto selvagens quanto mutadas) e seus efetores downstream na via.

O adenocarcinoma ductal de pâncreas é a neoplasia com maior dependência da via do RAS entre todos os tumores sólidos, com mais de 90% dos pacientes apresentando mutações em RAS que impulsionam comportamento tumoral agressivo e resistência ao tratamento convencional.

Em reconhecimento ao potencial terapêutico do fármaco, o FDA (Food and Drug Administration) concedeu ao daraxonrasibe as designações de Breakthrough Therapy e de Medicamento Órfão para o tratamento de pacientes com adenocarcinoma dutal de pâncreas metastático previamente tratado portadores de mutações G12 em RAS, além de selecioná-lo para o programa Commissioner's National Priority Voucher, iniciativa destinada a acelerar o desenvolvimento e a revisão regulatória de terapias alinhadas a prioridades nacionais de saúde nos Estados Unidos. Com base nos resultados do RASolute 302, a empresa pretende submeter uma solicitação de aprovação ao FDA e demais autoridades regulatórias globais, com apresentação integral dos dados prevista para o congresso anual da ASCO 2026.

De maneira sumária, o RASolute 302 é um ensaio clínico randomizado, global e controlado, que incluiu pacientes com adenocarcinoma ductal de pâncreas metastático portadores de amplo espectro de variantes em RAS, incluindo mutações G12 (G12D, G12V e G12R), bem como pacientes sem mutação identificada (tipo selvagem). Os participantes foram randomizados para receber daraxonrasibe por via oral ou quimioterapia citotóxica à escolha do investigador (gencitabina e nab-paclitaxel ou mFOLFIRINOX ou Nal-IRI + 5-FU ou FOLFOX), como padrão de cuidado. Os objetivos primários do estudo foram a sobrevida livre de progressão (SLP) e a sobrevida global (SG) na subpopulação com mutações RAS G12, avaliados por revisão central independente cega. Os objetivos secundários incluíram SLP e SG na população global do estudo, taxa de resposta objetiva, duração de resposta e qualidade de vida reportada pelo paciente.

Todos os desfechos primários e secundários-chave foram atingidos. Na população global (independentemente do status mutacional), a SG mediana foi de 13,2 meses com daraxonrasibe versus 6,7 meses com quimioterapia (HR=0,40; p<0,0001), representando redução de 60% no risco de morte. O perfil de segurança foi descrito como satisfatório, com boa tolerabilidade e ausência de novas toxicidades além das previamente demonstradas em estudo mais precoces com a molécula. As características demográficas detalhadas dos participantes, os resultados específicos de SLP e SG na população com mutações RAS G12 (população do desfecho primário) e o perfil completo de eventos adversos aguardam divulgação integral no congresso da ASCO 2026.

O daraxonrasibe encontra-se atualmente em avaliação em quatro estudos de fase III em andamento, incluindo três ensaios em adenocarcinoma ductal de pâncreas e um em câncer de pulmão de células não pequenas, refletindo o potencial do inibidor pan-RAS em diferentes neoplasias RAS-dependentes.

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