Editores da série MOC Antonio C. Buzaid - Fernando C. Maluf - Carlos H. Barrios
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Editor-convidado Caio Max S. Rocha Lima
Em 19 de fevereiro de 2026, o FDA (Food and Drug Administration) aprovou o uso de acalabrutinibe, disponível nas formulações em comprimidos e cápsulas, em combinação com venetoclax, para o tratamento de pacientes adultos com leucemia linfocítica crônica (LLC) ou linfoma linfocítico de pequenas células (LLPC). A nova indicação contempla pacientes adultos com doença previamente não tratada e representa uma estratégia terapêutica baseada em terapia-alvo combinada, ampliando as opções de tratamento inicial para estas neoplasias hematológicas de células B.

A eficácia e segurança do regime foram avaliadas no estudo AMPLIFY, um ensaio clínico randomizado e multicêntrico que incluiu pacientes adultos com LLC previamente não tratados e sem deleção 17p ou mutação TP53. Os participantes foram randomizados para receber a combinação de acalabrutinibe e venetoclax ou tratamento à escolha do investigador com quimioterapia (fludarabina, ciclofosfamida e rituximabe [FCR] ou bendamustina e rituximabe [BR] ). Na população de eficácia, a mediana de idade foi de 61 anos, sendo 62% do sexo masculino. O desempenho ECOG foi 0-1 em 90% dos casos, doença volumosa com linfonodos ≥ 5 cm foi observada em 41%, 45% apresentavam estágio III ou IV de Rai, 17% tinham deleção 11q e 58% apresentavam IGHV não mutado. O desfecho primário foi a sobrevida livre de progressão avaliada por comitê de revisão independente.

Após mediana de acompanhamento de 42,6 meses, a mediana de sobrevida livre de progressão não foi alcançada no braço tratado com acalabrutinibe + venetoclax, em comparação com 47,6 meses no braço FCR/BR, correspondendo a uma redução de 35% no risco de progressão ou morte (HR=0,65; IC de 95%: 0,49-0,87; p=0,0038). Com mediana de seguimento de 41,0 meses, ocorreram 18 mortes (6%) no grupo tratado com a combinação alvo e 42 mortes (14%) no grupo tratado com quimioterapia. Eventos adversos graves foram observados em 25% dos pacientes que receberam acalabrutinibe + venetoclax, sendo infecções graves ou de grau ≥3 relatadas em 14%. As bulas dos medicamentos também destacam riscos de infecções graves e oportunistas, hemorragia, citopenias, neoplasias primárias secundárias, arritmias cardíacas e hepatotoxicidade com acalabrutinibe, além de síndrome de lise tumoral, neutropenia, infecções e toxicidade embriofetal associadas ao venetoclax.

O regime recomendado consiste em até 14 ciclos de acalabrutinibe e 12 ciclos de venetoclax, com cada ciclo tendo duração de 28 dias. A dose recomendada de acalabrutinibe é de 100 mg por via oral a cada 12 horas, mantida até progressão da doença, toxicidade limitante ou conclusão dos 14 ciclos de tratamento. O venetoclax deve ser iniciado no ciclo 3 com dose inicial de 20 mg seguindo esquema de escalonamento de dose durante cinco semanas, conforme descrito em bula. Após a fase de escalonamento, a dose recomendada é de 400 mg por via oral uma vez ao dia, administrada até progressão da doença, toxicidade limitante ou até o último dia do ciclo 14.

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