Em 31 de agosto de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou uma nova indicação terapêutica para o
irinotecano lipossomal peguilado em combinação com
oxaliplatina,
fluorouracila e
leucovorina (regime
NALIRIFOX) no tratamento de primeira linha de pacientes adultos com adenocarcinoma ductal de pâncreas metastático. A decisão amplia de forma relevante o escopo regulatório do fármaco no país, que até então dispunha de registro concedido em abril de 2025 restrito ao cenário de segunda linha.
A eficácia e a segurança do regime foram avaliadas no estudo
NAPOLI 3, ensaio clínico de fase III, randomizado e aberto, conduzido em 187 centros de 18 países, que incluiu 770 pacientes com adenocarcinoma ductal de pâncreas metastático sem tratamento sistêmico prévio para doença metastática, com diagnóstico de doença metastática há no máximo seis semanas, ao menos uma lesão mensurável e status de performance ECOG 0 ou 1.
Os pacientes foram randomizados na proporção 1:1 para receber
NALIRIFOX (n=383) ou
gencitabina associada a
nab-paclitaxel (n=387), com estratificação por
status de performance, região geográfica e presença de metástases hepáticas. A idade mediana foi de 64,0 anos no braço experimental e 65,0 anos no braço controle, 53,3% e 59,4% dos pacientes eram do sexo masculino, respectivamente, e 82,2% e 83,7% eram brancos. O status ECOG 1 esteve presente em 58,0% e 56,6% dos pacientes, três ou mais sítios metastáticos em 38,9% e 36,4%, e metástases hepáticas em 80,2% e 80,4%. O desfecho primário foi a sobrevida global.
Após seguimento mediano de 16,1 meses, a mediana de sobrevida global foi de 11,1
versus 9,2 meses (HR=0,83; IC de 95%: 0,70-0,99; p=0,036), com taxas de sobrevida global em 12 e 18 meses de 45,6%
versus 39,5% e 26,2%
versus 19,3%, respectivamente. A mediana de sobrevida livre de progressão foi de 7,4
versus 5,6 meses (HR=0,69; IC de 95%: 0,58-0,83; p<0,0001) e a taxa de resposta objetiva foi de 41,8%
versus 36,2%. Eventos adversos de graus ≥ 3 ocorreram em 87% e 86% dos pacientes, respectivamente, e eventos adversos graves em 54%
versus 52%, com descontinuação por toxicidade em 25%
versus 23% e óbitos relacionados ao tratamento em 2% em ambos os braços. Os eventos adversos de graus 3-4 mais frequentes com
NALIRIFOX versus o comparador foram diarreia (20,3%
versus 4,5%), hipocalemia (15,1%
versus 4,0%), neutropenia (14,1%
versus 24,5%), náusea (11,9%
versus 2,6%) e anemia (10,5%
versus 17,4%), enquanto a neuropatia periférica de graus 3-4 foi menos frequente no braço experimental (3,2%
versus 5,8%), delineando perfis de toxicidade distintos entre os dois regimes.