Em 04 de setembro de 2026, o
Food and Drug Administration (FDA) concedeu aprovação acelerada ao
camizestranto, um antagonista do receptor de estrogênio, em combinação com um inibidor de CDK4/6 (
abemaciclibe,
palbociclibe ou
ribociclibe), para adultos com câncer de mama localmente avançado ou metastático com receptor hormonal positivo (RH positivo) e HER-2 negativo, mediante detecção de mutação no gene ESR1 durante terapia com inibidor de aromatase e inibidor de CDK4/6, utilizando teste autorizado pela agência. Simultaneamente, o FDA aprovou o teste Guardant360® como teste diagnóstico companheiro para identificar as pacientes com mutação ESR1 elegíveis ao tratamento.
A aprovação anunciada foi baseada no estudo de fase III
SERENA-6, que comparou a troca para
camizestranto associado a um inibidor de CDK4/6
versus a manutenção de um inibidor de aromatase (
anastrozol ou
letrozol) associado a um inibidor de CDK4/6. Foram randomizadas 315 pacientes na proporção 1:1, todas com doença RH positiva, HER-2 negativa e com mutações ESR1 detectáveis por DNA tumoral circulante (ctDNA) pelo ensaio Guardant360® durante a primeira linha com inibidor de aromatase e inibidor de CDK4/6, em tratamento a pelo menos seis meses e sem evidência de progressão radiográfica. A idade mediana foi de 61 anos em ambos os braços, praticamente todas as pacientes eram mulheres (100% e 98,1%), com predomínio de pós‑menopausadas (78,3% e 80,4%) e de etnia branca (61,8% e 64,6%). O ECOG era 0 em cerca de dois terços das pacientes (68,2% e 62,0%) e a doença era não visceral na maioria (58,0% e 55,1%), com metástases viscerais em 42,0% e 44,9%. A mutação em ESR1 foi detectada já no primeiro teste em pouco mais da metade dos casos (53,5% e 53,2%), com mediana de 21 meses entre o início do inibidor da aromatase e inibidor de CDK4/6 e a detecção. A maioria apresentava mutação única (83,4% e 79,7%), sendo D538G (44,6% e 51,9%) e Y537S (38,9% e 38,0%) as variantes mais frequentes, seguidas de Y537N (18,5% e 15,8%). O intervalo mediano entre o início da terapia de primeira linha e a randomização foi de 23 meses, sendo ≥ 18 meses em 61,8% e 63,3% dos casos, ou seja, uma população com doença endócrino‑sensível e longa exposição prévia à combinação. O inibidor de CDK4/6 mantido à randomização foi majoritariamente
palbociclibe (75,8% e 75,3%), seguido de
ribociclibe (15,3% e 14,6%) e
abemaciclibe (8,9% e 10,1%).
A sobrevida livre de progressão mediana foi de 16 meses no braço com
camizestranto e de 9,2 meses no braço com inibidor de aromatase (HR=0,44; IC de 95%: 0,31-0,60; p < 0,00001). Os dados de sobrevida global eram imaturos no momento da análise. A bula traz uma advertência em tarja para o risco de arritmia por prolongamento do intervalo QTc com uso concomitante de fármacos que prolongam o QTc, além de advertências para bradicardia e toxicidade embriofetal.
A dose recomendada de
camizestranto é de 75 mg, via oral, uma vez ao dia, com ou sem alimentos, mantida até a progressão da doença ou toxicidade limitante. O fármaco deve ser administrado em combinação com um inibidor de CDK4/6 (
abemaciclibe, palbociclibe ou ribociclibe), o qual é mantido na mesma dose vigente quando a mutação ESR1 foi detectada