Em 18 de setembro de 2026, o
Food and Drug Administration (FDA) aprovou a combinação de
imlunestranto e
abemaciclibe para o tratamento de pacientes adultos com câncer de mama receptor de estrogênio positivo (RE positivo), HER-2 negativo, com mutação em ESR1, avançado ou metastático, com progressão da doença após pelo menos uma linha de terapia endócrina. A indicação é restrita a pacientes cuja mutação em ESR1 tenha sido detectada por teste validado pelo FDA. O uso de
imlunestranto em monoterapia é aprovado pela agência desde setembro de 2025.
A eficácia e a segurança da combinação foram avaliadas no estudo
EMBER-3, ensaio de fase III, randomizado, aberto, que incluiu 874 pacientes com câncer de mama RE positivo, HER-2 negativo, localmente avançado ou metastático, previamente tratadas com inibidor de aromatase em monoterapia ou associado a inibidor de CDK4/6.
As pacientes foram randomizadas na proporção de 1:1:1 para receber
imlunestranto em monoterapia, terapia endócrina a critério do investigador (
fulvestranto ou
exemestano) ou
imlunestranto associado a
abemaciclibe, com estratificação por uso prévio de inibidor de CDK4/6, presença de metástase visceral e região geográfica. O desfecho primário foi a sobrevida livre de progressão.
A população total do estudo foi composta por 874 pacientes, com idade mediana de aproximadamente 61-62 anos, sendo 85% pós-menopáusicas e 65% com ECOG 0. A maioria apresentava doença mensurável (78%), com metástases viscerais em 56%, incluindo acometimento hepático em cerca de 30%, enquanto 24% apresentavam doença exclusivamente óssea. Aproximadamente 37% apresentavam mutação de ESR1 e 39% alterações da via PI3K. A doença era predominantemente caracterizada por resistência endócrina secundária (91%), e cerca de 60% das pacientes já haviam recebido previamente um inibidor de CDK4/6, principalmente no contexto de doença avançada. De modo geral, as características basais foram equilibradas entre os grupos.
Embora a comparação da sobrevida livre de progressão entre
imlunestranto em combinação com
abemaciclibe versus imlunestranto em monoterapia na população geral tenha sido estatisticamente significativa, não foi demonstrada melhora de sobrevida livre de progressão com
imlunestranto em monoterapia em comparação à terapia endócrina à escolha do investigador, tanto na população geral quanto na população sem detecção de mutação em ESR1, indicando que o benefício foi observado apenas na população com mutação em ESR1.
Em uma análise exploratória de subgrupo envolvendo 159 pacientes com tumores com mutação em ESR1 tratados com a combinação, a análise estimada de sobrevida livre de progressão trouxe HR= 0,53 (IC de 95%: 0,35-0,80). A mediana de sobrevida livre de progressão em pacientes com tumores com mutação em ESR1 foi de 11,1 meses no braço
imlunestranto mais
abemaciclibe e de 5,5 meses no braço
imlunestranto isolado. A taxa de resposta objetiva foi de 35% e 15%, respectivamente. Os dados de sobrevida global ainda são imaturos entre pacientes com tumores com mutação em ESR1.
Eventos adversos de graus ≥ 3 ocorreram em 48,6% das pacientes tratadas com a combinação de
imlunestranto e
abemaciclibe, destacando-se neutropenia, diarreia, anemia, fadiga e elevação de transaminases como toxicidades de alto grau mais frequentes. Embora 61% dos pacientes tenham necessitado de algum ajuste de dose, incluindo interrupções em 55% e reduções em 39%, essas modificações ocorreram predominantemente nos primeiros quatro meses e envolveram sobretudo o
abemaciclibe. Apenas 6,3% descontinuaram ambos os agentes devido a eventos adversos, enquanto 3% descontinuaram somente o
abemaciclibe e 0,5% somente o
imlunestranto.
A posologia recomendada de
imlunestranto é de 400 mg, via oral, uma vez ao dia, em jejum, pelo menos duas horas antes ou uma hora após a alimentação. O
abemaciclibe deve ser administrado na dose de 150 mg, via oral, duas vezes ao dia, com ou sem alimentos. Ambos os fármacos devem ser mantidos até progressão da doença ou toxicidade limitante.