Em 08 de outubro de 2026, o atezolizumabe recebeu aprovação do FDA (Food and Drug Administration), para uso em combinação com fluoropirimidina e oxaliplatina no tratamento adjuvante de pacientes adultos e pediátricos (≥ 2 anos de idade) com câncer de cólon estágio III com deficiência de mismatch repair (dMMR).
A aprovação baseou-se no estudo de fase III ATOMIC, que incluiu 712 pacientes com adenocarcinoma de cólon estágio III e dMMR após com ressecção cirúrgica completa e randomizados 1:1 para atezolizumabe associado a mFOLFOX6 por 6 meses, seguido de atezolizumabe em monoterapia por mais 6 meses (n = 355), ou mFOLFOX6 isolado por 6 meses (n = 357). A randomização, realizada em até 10 semanas após a cirurgia, foi estratificada por estágio linfonodal, estágio tumoral e localização do tumor. A mediana de idade foi de 64 anos, 55,1% eram mulheres, 83,7% tinham tumores proximais à flexura esplênica, 58,7% eram T3 e 31,7% T4, 36,7% eram N2 e 53,9% apresentavam tumores de alto risco (T4, N2 ou ambos). Adicionalmente, 65,0% tinham ECOG 0 e 21,1% tinham síndrome de Lynch, e a dMMR foi confirmada retrospectivamente por laboratório central em 88,5% dos casos. O desfecho primário foi a sobrevida livre de doença.
Na análise interina pré-especificada, com mediana de seguimento de 40,9 meses e 127 eventos, a sobrevida livre de doença em 3 anos foi de 86,3% versus 76,2% (HR=0,50; IC de 95%: 0,35-0,73; p < 0,001). O benefício foi consistente nos subgrupos, inclusive nos de alto risco (HR=0,49) e baixo risco baixo (HR=0,54), mas, em análise exploratória, restringiu-se aos pacientes que receberam mais de seis ciclos de mFOLFOX6 (HR=0,41; IC de 95%: 0,27-0,64), sem vantagem naqueles com seis ciclos ou menos (HR=0,97; IC de 95%: 0,44-2,11). A sobrevida global, desfecho secundário, não diferiu significativamente entre os grupos (HR=0,90; IC de 95%: 0,55-1,47), com sobrevida global em 5 anos de 89,7% versus 87,9%.
Na avaliação de segurança, eventos adversos de grau ≥ 3 ocorreram em 84,1% versus 71,9%, sobretudo por maior incidência de eventos não hematológicos (69,4% versus 54,5%), como fadiga (10,1% versus 3,3%), e de neutropenia (43,6% versus 35,9%). Eventos adversos imunomediados, como hipotireoidismo, hiperglicemia, colite e erupção maculopapular, foram pelo menos 5 pontos percentuais mais frequentes com atezolizumabe, sem aumento clinicamente significativo dos de graus ≥ 3. A descontinuação por eventos adversos ocorreu em 17,5% versus 9,0% dos pacientes.
No estudo ATOMIC, o atezolizumabe foi administrado na dose de 840 mg, via intravenosa, a cada 2 semanas, por 12 ciclos com o mFOLFOX6 e por mais 13 ciclos em monoterapia.