O estudo EV-302 marca uma inflexão histórica no manejo do câncer urotelial avançado ao demonstrar superioridade inequívoca do regime combinado de enfortumabe vedotina e pembrolizumabe em relação à quimioterapia padrão com base em platina.1 Trata-se de uma mudança de paradigma relevante, considerando que, por décadas, a quimioterapia com platina foi a única opção terapêutica eficaz disponível nessa população e diferentes tentativas prévias de utilização de novos tratamentos neste cenário de doença haviam falhado em demonstrar benefício em sobrevida global.2-5
O EV-302 randomizou 886 pacientes entre o regime de enfortumabe vedotina + pembrolizumabe ou quimioterapia à base de gemcitabina com platina. O desfecho primário de sobrevida global demonstrou benefício significativo em favor do braço experimental, com redução relativa de aproximadamente 50% no risco de óbito (HR=0,51; IC de 95%: 0,43-0,61), com ganho também na sobrevida livre de progressão (HR=0,48; IC de 95%: 0,41-0,57). A taxa de resposta objetiva foi maior com o novo regime (67,7% versus 44,4%), com resposta completa em 29,1% dos casos.6
Entretanto, diante de um cenário em constante evolução com novas terapias disponíveis,7,8 a seleção terapêutica é um desafio na prática clínica. Neste Vídeo-MOC, o Dr. Andrey Soares, oncologista clínico do Hospital Albert Einstein, apresenta uma ampla revisão sobre o manejo do carcinoma urotelial avançado ao longo dos últimos anos e discute com o Dr. Fabio A. B. Schutz, oncologista clínico da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, sobre o manejo prático dos novos tratamentos disponíveis. Confira mais um Vídeo-MOC imperdível!
Bibliografia:
8. van der Heijden MS, Sonpavde G, Powles T, et al: Nivolumab plus Gemcitabine-Cisplatin in Advanced Urothelial Carcinoma. N Engl J Med 389:1778-1789, 2023