Em 04 de maio de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou uma nova indicação terapêutica para o
durvalumabe em combinação com a terapia padrão de instilação intravesical com
bacilo de Calmette-Guérin (BCG) nos esquemas de indução e manutenção para o tratamento de pacientes adultos com câncer de bexiga não musculoinvasivo (CBNMI) de risco alto, virgens de tratamento com BCG ou com exposição prévia há > 3 anos, submetidos à ressecção transuretral do tumor vesical (RTU-TV) com intenção curativa.
A eficácia e a segurança da combinação foram avaliadas no estudo de fase III
POTOMAC, randomizado, aberto, multicêntrico e global, conduzido em mais de 120 centros distribuídos por 12 países, que incluiu 1.018 pacientes com CBNMI de risco alto virgens de BCG, submetidos previamente à RTU-TV com ressecção completa, sendo permitida a inclusão de pacientes com CIS residual. A definição de risco alto contemplada no estudo abrange tumores com estágio T1 de grau alto, carcinoma in situ (CIS) ou tumores Ta múltiplos, recidivados e de grandes dimensões (≥ 3 cm). Os participantes foram randomizados na proporção 1:1:1 entre três braços de tratamento:
durvalumabe associado à
BCG no contexto de indução e manutenção (n=339),
durvalumabe associado à
BCG apenas no contexto de indução (n=339) ou
BCG isoladamente em indução e manutenção (n=340). O
durvalumabe foi administrado por via intravenosa na dose de 1.500 mg a cada quatro semanas, por até 13 ciclos, totalizando um ano de tratamento, enquanto o
BCG intravesical foi aplicado semanalmente por seis semanas no período de indução e em três doses semanais aos 3, 6, 12, 18 e 24 meses no período de manutenção. O desfecho primário foi a sobrevida livre de doença (SLD), avaliada pelo investigador, na comparação entre
durvalumabe + BCG indução e manutenção
versus BCG indução e manutenção isoladamente, definida como recidiva de CBNMI de risco alto (T1, Ta de grau alto ou CIS), progressão para doença musculoinvasiva ou metastática, CIS persistente em seis meses ou óbito por qualquer causa na ausência de recidiva.
Com seguimento mediano de 60,7 meses, a adição de
durvalumabe reduziu em 32% o risco de recidiva ou óbito (HR=0,68; IC de 95%: 0,50-0,93; p=0,0154), com separação precoce e sustentada das curvas a partir de menos de quatro meses de tratamento. As taxas de SLD em 24 meses foram de 86,5% no braço experimental
versus 81,6% no braço controle, e a mediana de SLD não foi alcançada em nenhum dos braços. O desfecho secundário comparando
durvalumabe + BCG apenas na indução
versus BCG indução e manutenção não atingiu significância estatística (HR=1,14; IC de 95%: 0,86-1,50), reforçando o papel imprescindível da fase de manutenção do
BCG. Eventos adversos relacionados ao tratamento de graus 3 ou 4 ocorreram em 21% dos pacientes no braço
durvalumabe + BCG indução e manutenção, em 15% no braço
durvalumabe + BCG indução isolada e em 4% no braço
BCG indução e manutenção, sem óbitos atribuídos ao tratamento. Os eventos adversos mais frequentes em todos os braços foram disúria, hematúria e polaciúria, consistentes com o perfil já conhecido das duas terapias isoladamente.
A posologia recomendada de
durvalumabe nessa indicação é de 1.500 mg por via intravenosa a cada quatro semanas, por até 13 ciclos (totalizando aproximadamente um ano de tratamento), em combinação com
BCG intravesical no esquema padrão de indução (instilações semanais por seis semanas) e manutenção (três instilações semanais aos 3, 6, 12, 18 e 24 meses após o início da terapia). A combinação deve ser mantida até a conclusão dos ciclos previstos, recidiva de doença, progressão para CBNMI invasivo ou metastático ou ocorrência de toxicidade limitante.