A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou, em 23 de fevereiro de 2026, uma nova indicação terapêutica para o
durvalumabe em combinação com quimioterapia no esquema
FLOT (fluorouracil, leucovorina, oxaliplatina e docetaxel) , para uso no contexto perioperatório em pacientes com adenocarcinoma gástrico ou da junção gastroesofágica ressecável, ausência de metástases a distância e sem terapia sistêmica prévia.
O embasamento dessa estratégia deriva do estudo de fase III
MATTERHORN, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, que avaliou
durvalumabe adicionado à quimioterapia perioperatória com
FLOT, seguido de manutenção com
durvalumabe em monoterapia após a cirurgia, tendo como desfecho primário a sobrevida livre de eventos e, entre os desfechos secundários-chave, a sobrevida global e a resposta patológica completa.
As características demográficas foram as seguintes: idade mediana de 62 anos, 41% com idade ≥ 65 anos, 72% com sexo masculino e status ECOG 0 em 74%. As características da doença foram as seguintes: Estágio II (29%), Estágio III (62%), Estágio IVA (9%), tumor primário gástrico (68%), junção gastroesofágica (32%), tipo Siewert 1 (10%), tipo Siewert 2 (15%), tipo Siewert 3 (7%), tipo intestinal (51%), tipo difuso (26%), tipo indeterminado (23%),
status clínico de linfonodos positivo (70%),
status clínico de linfonodos negativo (29%),
status de expressão de PD-L1 TAP ≥1% (90%) e
status de expressão de PD-L1 TAP <1% (10%).
No braço que recebeu
durvalumabe, 412 (87%) pacientes completaram a cirurgia com intenção curativa em comparação a 400 (84%) pacientes no braço placebo. A cirurgia foi adiada (definida como tentativa de cirurgia > 8 semanas após a última dose da terapia neoadjuvante) em 48 (10%) pacientes no braço
durvalumabe e em 51 (11%) pacientes no braço placebo. No braço
durvalumabe, 248 (52%) e 291 (61%) pacientes completaram os dois ciclos de
durvalumabe adjuvante e os dois ciclos de
FLOT adjuvante, respectivamente. No braço placebo, 245 (52%) e 303 (64%) pacientes completaram os dois ciclos de placebo adjuvante e os dois ciclos de
FLOT adjuvante, respectivamente. Foram 344 (73%) pacientes no braço
durvalumabe que iniciaram a monoterapia adjuvante com
durvalumabe em comparação a 332 (70%) pacientes no braço placebo.
Em análise final de sobrevida global, a adição de
durvalumabe ao
FLOT reduziu em 22% o risco de morte (HR=0,78; IC de 95%: 0,63-0,96; p=0,021), com benefício consistente independentemente do
status de PD-L1. A sobrevida livre de eventos foi favorável ao uso do imunoterápico (HR=0,71; IC de 95%: 0,58-0,86; p < 0,001), assim como a taxa de resposta patológica completa (19,2%
versus 7,2%; p < 0,001).