Em 31 de julho de 2026, o
Food and Drug Administration (FDA) aprovou o uso de
lutécio Lu177 vipivotida tetraxetana (LuPSMA) em combinação com inibidor da via do receptor de androgênio (ARPI) para pacientes adultos com câncer de próstata metastático sensível ou não exposto à modulação da via androgênica (mAPMN/S), condição anteriormente designada como câncer de próstata metastático hormônio-sensível, e positivo para o PET-CT PSMA.
A combinação terapêutica foi avaliada no
PSMAddition, estudo de fase III que randomizou 1.144 pacientes com câncer de próstata mAPMN/S PSMA-positivo na proporção de 1:1 para receber LuPSMA associado a um ARPI (n=572) ou ARPI isolado (n=572). O ARPI, a critério do investigador, incluiu
abiraterona,
apalutamida,
enzalutamida,
darolutamida ou outro agente da classe, mantido em ambos os braços até progressão da doença ou toxicidade limitante, e todos os pacientes receberam agonista ou antagonista do hormônio liberador de gonadotrofina de forma concomitante ou haviam sido submetidos a orquiectomia bilateral. A população randomizada, integralmente do sexo masculino e virgem de tratamento ou minimamente tratada para a doença metastática, tinha mediana de idade de 68,0 anos, com 43% dos pacientes com ≥ 70 anos. A maioria apresentava bom estado geral (ECOG 0 em 70% e ECOG 1 em 29%), 68% tinham doença de alto volume e houve equilíbrio entre doença metastática de novo (50%) e recorrente (46%), com metástases ósseas em 91%, em tecidos moles em 59% e linfonodais em 34% e mediana de PSA basal de 11,91 ng/mL.
O estudo demonstrou benefício estatisticamente significativo na sobrevida livre de progressão radiográfica com a combinação, com medianas não atingidas em ambos os braços (HR=0,72; IC de 95%: 0,58-0,90; p=0,002), além de benefício também em sobrevida livre de progressão de PSA (HR=0,42; IC de 95%: 0,30-0,59) e tempo para doença resistente à castração (HR=0,70; IC de 95%: 0,58-0,84). As taxas de resposta objetiva (85%
versus 81%) e de resposta completa (57%
versus 42%) foram numericamente superiores para o braço que recebeu
LuPSMA. Os dados de sobrevida global ainda são imaturos na análise atual. Os eventos adversos foram consistentes com a experiência prévia do radiofármaco, apresentando como eventos adversos frequentes: xerostomia, náuseas, anemia, redução do apetite, êmese, disgeusia, leucopenia e linfopenia, porém predominantemente de graus 1 ou 2. A bula inclui advertências para risco de exposição à radiação, mielossupressão, toxicidade renal, toxicidade embriofetal e infertilidade.
A dose recomendada de
lutécio Lu 177 vipivotida tetraxetana em combinação com ARPI é de 7,4 GBq (200 mCi), via intravenosa, a cada seis semanas, por um total de seis doses, ou até progressão da doença ou toxicidade limitante. O tratamento com ARPI deve ser mantido de forma contínua, e a supressão androgênica com agonista ou antagonista do hormônio liberador de gonadotrofina deve ser conservada durante todo o período, salvo em pacientes previamente submetidos a orquiectomia.