Em 26 de outubro de 2026, o
Food and Drug Administration (FDA) aprovou a combinação de
talazoparibe com
enzalutamida para o tratamento de adultos com câncer de próstata metastático, sem tratamento prévio com agente de modulação da via androgênica ou sensível a esta classe, com mutações em genes de reparo por recombinação homóloga (HRR).
A aprovação baseou-se no estudo
TALAPRO-3, de fase III, internacional, randomizado 1:1, duplo-cego e controlado por placebo, que comparou
talazoparibe mais
enzalutamida com placebo mais
enzalutamida, todos em terapia de privação androgênica contínua em 599 pacientes.
Eram elegíveis homens com adenocarcinoma de próstata metastático documentado por exames de imagem, ECOG 0 ou 1 e alteração em ao menos um de 12 genes de HRR (ATM, ATR, BRCA1, BRCA2, CDK12, CHEK2, FANCA, MLH1, MRE11A, NBN, PALB2 e RAD51C), com até 3 meses de terapia de privação androgênica prévia, com ou sem inibidor da via do receptor androgênico. A mediana de idade foi de 70 anos no braço do
talazoparibe e de 69 anos no controle, 66% e 70% tinham ECOG 0, 84% e 85% apresentavam doença metastática ao diagnóstico, 70% e 71% doença de alto volume, 82% em ambos os braços escore de Gleason ≥ 8, e 35% e 34% alterações em BRCA1 ou BRCA2 (BRCA2 em 29% e 31%, ATM em 29% e 27%, CDK12 em 18% e 20%), com mediana de PSA de 3,6 ng/mL nos dois braços.
O desfecho primário, sobrevida livre de progressão radiográfica, não alcançou mediana no braço do
talazoparibe, contra mediana de 45,8 meses no braço controle, com redução de 52% no risco de progressão radiográfica ou morte (HR=0,48; IC de 95%: 0,36-0,65; p<0,001). Em análises exploratórias, o HR foi de 0,37 nos pacientes com alterações em BRCA e de 0,57 nos sem alterações em BRCA. Na análise interina da sobrevida global, desfecho secundário principal, ocorreram 74 óbitos no braço do
talazoparibe e 91 no controle, com sobrevida global em 3 anos de 78% e 72% (HR=0,77; IC de 95%: 0,56-1,04), sem demonstrar significância estatística.
Entre os desfechos secundários, a ausência de progressão do PSA em 3 anos foi de 78% e 63% (HR=0,51; IC de 95%: 0,37-0,71), a ausência de início de nova terapia antineoplásica foi de 79% e 62% (HR=0,51; IC de 95%: 0,38-0,70), e a resposta objetiva confirmada nos pacientes com doença mensurável em partes moles foi de 75%
versus 67%. Eventos adversos de graus ≥ 3 ocorreram em 81% e 44% dos pacientes, eventos adversos graves em 42% e 32%, e eventos de graus ≥ 3 relacionados ao tratamento em 72% e 14%. O evento mais comum de grau ≥ 3 foi anemia (51%), seguida de neutropenia (11%), fadiga de qualquer grau ocorreu em 28% e 15%.
Receberam transfusão de concentrado de hemácias 40% dos pacientes com
talazoparibe e 2% no controle. Houve interrupção de dose do
talazoparibe ou placebo por eventos adversos em 69% e 31%, redução de dose em 60% e 7% e descontinuação permanente em 19% e 10%, sendo anemia e redução de neutrófilos as causas mais comuns (5% cada).
Foram observados três casos de síndrome mielodisplásica e dois de leucemia mieloide aguda com
talazoparibe (um e nenhum no controle), sete eventos tromboembólicos venosos contra cinco, e duas mortes relacionadas ao tratamento (pancitopenia e piora de fibrose pulmonar idiopática), ambas no braço do
talazoparibe.
A dose recomendada de
talazoparibe é de 0,5 mg, via oral, uma vez ao dia, em associação com
enzalutamida, até a progressão da doença ou toxicidade limitante. Os pacientes devem receber concomitantemente um análogo do GnRH ou ter sido submetidos a orquiectomia bilateral. Recomenda-se monitorização hematológica por causa do risco de mielossupressão.