Editores da série MOC Antonio C. Buzaid - Fernando C. Maluf - Carlos H. Barrios
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Editor-convidado Caio Max S. Rocha Lima
Em 30 de março de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou o inavolisibe, em combinação com palbociclibe e fulvestranto, para o tratamento de pacientes adultos com câncer de mama localmente avançado ou metastático, receptor hormonal positivo (RH positivo), HER-2 negativo, portadores de mutação em PIK3CA, com evidência de resistência à hormonioterapia (definida como progressão durante ou em ≥ 12 meses após a conclusão da hormonioterapia adjuvante) e sem tratamento sistêmico prévio para doença avançada.

A aprovação pela agência brasileira sucede a decisão do FDA, concedida em 10 de outubro de 2024, e da Comissão Europeia, em julho de 2025. O inavolisibe é um inibidor oral, altamente potente e seletivo da isoforma alfa da PI3K (PI3Kα), com o diferencial mecanístico de também promover a degradação da proteína p110α mutada, mecanismo que contribui para sua eficácia antitumoral diferenciada em relação a outros inibidores desta via. A mutação em PIK3CA, presente em aproximadamente 40% dos cânceres de mama RH positivo, está associada a prognóstico desfavorável e representa uma necessidade terapêutica relevante, especialmente no cenário de resistência à hormonioterapia.

A eficácia e a segurança do regime foram avaliadas no estudo de fase III INAVO120, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, conduzido em 28 países, que incluiu 325 pacientes adultos com câncer de mama localmente avançado ou metastático, RH positivo, HER-2 negativo e mutação em PIK3CA. Os pacientes foram randomizados 1:1 para receber inavolisibe ou placebo, ambos associados a palbociclibe e fulvestranto. O desfecho primário foi a sobrevida livre de progressão avaliada pelo investigador e os desfechos secundários incluíram sobrevida global, taxa de resposta objetiva, duração de resposta e desfechos reportados pelos pacientes. As características demográficas e clínicas basais foram: idade mediana de 54 anos, 98% de sexo feminino, 38% pré/perimenopausa e status de performance do ECOG de 0 (63%) ou 1 (36%). Tamoxifeno (57%) e inibidores de aromatase (50%) foram as terapias endócrinas adjuvantes mais utilizadas. Sessenta e quatro por cento dos pacientes foram considerados com resistência endócrina secundária. Oitenta e três por cento dos pacientes receberam quimioterapia prévia (no cenário neo/adjuvante) e 1,2% dos pacientes haviam sido tratados com um inibidor de CDK4/6.

Na análise primária, a mediana de sobrevida livre de progressão foi de 15,0 meses no braço inavolisibe versus 7,3 meses no braço controle (HR=0,43; IC de 95%: 0,32-0,59; p<0,0001), com taxa de resposta objetiva de 58% versus 25% e mediana de duração de resposta de 18,4 versus 9,6 meses. Na análise final de sobrevida global, com seguimento mediano de 34,2 meses, o regime com inavolisibe demonstrou benefício estatisticamente significativo, com mediana de sobrevida global de 34,0 versus 27,0 meses (HR=0,67; IC de 95%: 0,48-0,94; p=0,019), além de sobrevida livre de progressão atualizada de 17,2 versus 7,3 meses (HR=0,42; IC de 95%: 0,32-0,55) e tempo mediano até o início de quimioterapia de 35,6 versus 12,6 meses (HR=0,43).

Eventos adversos de graus 3-4 ocorreram em 90,7% dos pacientes no braço inavolisibe versus 84,7% no braço placebo. Hiperglicemia de qualquer grau foi observada em 63,4% versus 13,5%, e a descontinuação por eventos adversos ocorreu em 6,8% dos pacientes. Os eventos adversos mais comuns (≥ 20%) foram: neutropenia, anemia, hiperglicemia, plaquetopenia, linfopenia, estomatite, diarreia, hipocalcemia, fadiga, hipocalemia, elevação de creatinina, elevação de ALT, náuseas, rash e cefaleia.

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