Em 06 de agosto de 2026, o
Food and Drug Administration (FDA) concedeu aprovação acelerada ao
vusolimogene oderparepvec, uma terapia viral oncolítica geneticamente modificada derivada do vírus herpes simplex tipo 1, em combinação com
nivolumabe, para o tratamento de pacientes adultos com melanoma cutâneo avançado irressecável que apresentaram progressão de doença durante regime baseado em anticorpo anti-PD-1.
A aprovação foi concedida pela via de aprovação acelerada com base na taxa de resposta objetiva e na duração da resposta, ficando a manutenção do registro condicionada à confirmação do benefício clínico em estudos confirmatórios pós-aprovação.
A segurança e a eficácia foram avaliadas no
IGNYTE, estudo aberto e de braço único que incluiu 140 pacientes adultos com melanoma avançado irressecável que apresentaram progressão confirmada após ≥ 8 semanas de terapia baseada em anti-PD-1. A população tinha mediana de idade de 62,0 anos, com 40,7% na faixa de ≥ 65 anos, sendo 67,9% do sexo masculino e 73,6% de raça branca. Quanto à extensão da doença, 51,4% apresentavam estádio IIIB/IIIC/IVM1a e 48,6% estádio IVM1b/c/d, 37,9% tinham tumores com mutação de BRAF, 33,6% apresentavam DHL acima do limite superior da normalidade e 56,4% tinham tumores PD-L1-negativos (<1%). Todos os pacientes haviam recebido anti-PD-1, sendo 25,7% apenas em contexto adjuvante, e 46,4% já tratados também com anti-CTLA-4, sendo a resistência ao anti-PD-1 primária em 65,7% dos casos e secundária em 34,3%.
Para fins regulatórios, a FDA considerou a população avaliável para eficácia composta por 91 pacientes com ao menos uma lesão não injetada, na qual a taxa de resposta objetiva foi de 24,2% e a duração mediana da resposta foi de 14,1 meses. Na avaliação da população global do estudo na publicação no periódico
Journal of Clinical Oncology, considerando os 140 pacientes e a avaliação por RECIST v1.1 sob revisão central independente e cega, a taxa de resposta objetiva confirmada foi de 32,9%, com 15,0% de respostas completas e duração mediana de resposta de 33,7, tendo mais da metade das respostas se mantido por ≥ 2 anos.
As respostas ocorreram com frequência e profundidade semelhantes em lesões injetadas e não injetadas, incluindo viscerais, e mostraram-se consistentes mesmo em subgrupos de pior prognóstico, com taxa de resposta objetiva de pelo menos 25% em doença IVM1b/c/d, resistência primária, tumores PD-L1-negativos e progressão prévia a anti-PD-1 associado a anti-CTLA-4. A sobrevida global mediana não foi atingida, com taxas de sobrevida global de 75,3% em 12 meses e 63,3% em 24 meses. No tocante à segurança, 90,0% dos pacientes apresentaram algum evento adverso relacionado ao tratamento, sendo 12,9% de grau 3/4 (3,6% de grau 4) e nenhum evento de grau 5.
Os eventos adversos mais comuns (≥ 20% dos pacientes) foram: fadiga (32,9%), calafrios (32,1%), pirexia (30,7%) e náuseas (22,1%), enquanto hipofisite e exantema maculopapular foram os únicos eventos de grau 3 a ocorrer em mais de um paciente, e os cinco eventos de grau 4 registrados incluíram síndrome de liberação de citocinas, citólise hepática, aumento de lipase, miocardite e ruptura esplênica (um caso de cada), não tendo sido observados óbitos relacionados ao tratamento.
A dose recomendada de
vusolimogene oderparepvec é de 1 mL por centímetro da maior dimensão do tumor, até o máximo de 10 mL por dose considerando todas as lesões tratadas, devendo o tamanho de cada lesão injetável ser reavaliado a cada dia de tratamento para determinar o volume necessário. Havendo múltiplas lesões, recomenda-se priorizar as de crescimento mais rápido e as maiores lesões, novas ou preexistentes, passíveis de injeção. As injeções intratumorais devem ser administradas a cada duas semanas por 8 doses consecutivas, iniciando-se com concentração de 10⁶ unidades formadoras de placa (PFU) por mL na semana 1, seguida de 10⁷ PFU por mL nas doses subsequentes. O
nivolumabe deve ser administrado por via intravenosa a partir da semana 3, conforme as instruções de sua respectiva bula.