O FDA
(Food and Drug Administration), em 13 de agosto de 2026, concedeu aprovação acelerada à
iberdomida, a primeira terapia da classe CELMoD (agente modulador de degradação de cereblon), em combinação com
daratumumabe e
dexametasona (regime
ZDd), para pacientes adultos com mieloma múltiplo que já receberam pelo menos uma linha prévia de tratamento incluindo um inibidor de proteassoma e um agente imunomodulador. Por se tratar de aprovação acelerada, ancorada em resposta completa com doença residual mensurável negativa, a manutenção do registro fica condicionada à confirmação do benefício clínico em estudo confirmatório.
A eficácia do regime foi avaliada no estudo de fase III
EXCALIBER-RRMM, que randomizou adultos com mieloma múltiplo recidivado ou refratário que haviam recebido 1-2 linhas prévias de tratamento, excluindo-se pacientes com doença refratária a anticorpo monoclonal anti-CD38 ou a
bortezomibe. Ao todo, 939 pacientes foram randomizados: no estágio 1, para um de três níveis de dose de
iberdomida associada a
daratumumabe e
dexametasona (IberDd) ou para
daratumumabe,
bortezomibe e
dexametasona (DVd) (n=279); e, no estágio 2, para
iberdomida associada a
daratumumabe e
dexametasona (Dd) ou
DVd (n=660).
O desfecho principal de eficácia foi a resposta completa com doença residual mensurável negativa em qualquer momento. A avaliação primária de eficácia foi conduzida nos primeiros 420 pacientes randomizados para
IberDd (n=207) ou para o comparador
DVd (n=213). A taxa de resposta completa com doença residual mensurável negativa foi de 41% no braço IberDd e de 21% no braço DVd (p < 0,0001), com seguimento mediano em torno de 16 meses.
A bula traz alerta em tarja preta para toxicidade embriofetal e para tromboembolismo venoso e arterial grave, além de advertências para neutropenia, infecções e segundas neoplasias primárias. Nas avaliações prévias do regime, os eventos adversos de grau ≥ 3 mais frequentes foram: neutropenia (45%), anemia (28%), infecção (27%) e trombocitopenia (22%).
A dose recomendada de
iberdomida é de 1 mg, via oral, uma vez ao dia, com ou sem alimento, nos dias 1 a 21 de um ciclo de 28 dias, em combinação com
daratumumabe e
dexametasona. O
daratumumabe é administrado por via subcutânea, na dose de 1.800 mg, nos dias 1, 8, 15 e 22 dos ciclos 1 e 2; nos dias 1 e 15 dos ciclos 3 a 6; e no dia 1 a partir do ciclo 7. A
dexametasona é administrada por via oral, na dose de 20 mg ou 40 mg, nos dias 1, 8, 15 e 22. O tratamento deve prosseguir até progressão da doença ou toxicidade limitante.