Editores da série MOC Antonio C. Buzaid - Fernando C. Maluf - Carlos H. Barrios
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Editor-convidado Caio Max S. Rocha Lima
Em 29 de junho de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou nova indicação terapêutica para darolutamida em combinação com a terapia de privação androgênica (TPA), sem associação a quimioterapia, para o tratamento de pacientes adultos com câncer de próstata metastático sensível à castração (CPSCm).

A decisão amplia o uso do antiandrogênico de nova geração, já estabelecido em combinação com docetaxel neste mesmo cenário desde a aprovação baseada no estudo ARASENS, oferecendo uma alternativa sem quimioterapia para pacientes elegíveis à intensificação hormonal isolada.

A eficácia e a segurança da combinação foram avaliadas no estudo de fase III ARANOTE, estudo global, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, que incluiu 669 pacientes com CPSCm que foram alocados na proporção 2:1 para receber darolutamida ou placebo, ambos associados à TPA. A idade mediana foi de 70 anos, 31,2% dos pacientes eram asiáticos e 9,7% negros. A maioria tinha escore de Gleason ≥ 8 (68,3%) e doença metastática de novo ao diagnóstico (72,5%), com metástases viscerais em 12,0% dos casos e PSA mediano basal de 21,3 ng/mL. Do total, 71% apresentavam doença de alto volume e 29% doença de baixo volume, conforme critérios de CHAARTED.

O desfecho primário foi a sobrevida livre de progressão radiográfica, avaliada por revisão central independente: com seguimento mediano de 25,3 meses, darolutamida reduziu em 46% o risco de progressão radiográfica ou morte em relação ao placebo (HR=0,54; IC de 95%: 0,41-0,71; p<0,0001), com 70% versus 52% dos pacientes livres de progressão aos 24 meses. Os desfechos secundários, incluindo tempo até doença resistente à castração, tempo até progressão do PSA e tempo até progressão da dor, favoreceram consistentemente o braço experimental. O perfil de segurança foi favorável, com incidência baixa e semelhante de eventos adversos entre os braços: fadiga ocorreu em 5,6% versus 8,0% dos pacientes e a descontinuação por eventos adversos foi menos frequente com darolutamida (6,1% versus 9,0% no braço placebo).

A dose recomendada de darolutamida é de 600 mg (dois comprimidos de 300 mg) por via oral, duas vezes ao dia, administrados com alimentos, em associação a um análogo de GnRH ou após orquiectomia bilateral, mantendo-se o tratamento até progressão da doença ou ocorrência de toxicidade limitante.

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