Em 24 de setembro de 2026, o
Food and Drug Administration (FDA) aprovou a combinação de
belzutifano e
lenvatinibe para pacientes adultos com carcinoma de células renais avançado com componente de células claras, após progressão da doença durante ou depois do uso de inibidor de PD-1/PD-L1.
Belzutifano é um inibidor do HIF-2α (fator induzível por hipóxia 2-alfa) e esta combinação representa uma nova opção terapêutica sem quimioterapia para o cenário pós-imunoterapia.
A eficácia e a segurança da combinação foram avaliadas no estudo
LITESPARK-011, ensaio clínico de fase III, randomizado, aberto, que incluiu 747 pacientes com carcinoma de células renais avançado com progressão de doença após pelo menos uma linha de terapia anti-PD-1 ou anti-PD-L1 administrada em primeira ou segunda linha, ou em até seis meses após a última dose dessas terapias em contexto adjuvante ou neoadjuvante.
Os pacientes foram randomizados para receber
belzutifano associado a
lenvatinibe ou
cabozantinibe em monoterapia. A idade mediana foi de 63,0 anos no braço da combinação e de 62,5 anos no braço
cabozantinibe (44% e 40% dos pacientes com ≥ 65 anos, respectivamente). A maioria era do sexo masculino (74% e 78%) e de raça branca (89% e 85%). O escore IMDC era intermediário em 61% e 57% dos pacientes e favorável em 23% e 25%, 68% e 67% haviam recebido apenas uma linha de tratamento sistêmico prévio, e nefrectomia prévia havia sido realizada em 62% dos pacientes em ambos os grupos.
Após seguimento mediano de 29,0 meses, a mediana de sobrevida livre de progressão foi de 14,8 meses no braço da combinação
versus 10,7 meses no braço
cabozantinibe (HR=0,70; IC de 95%: 0,59-0,84; p<0,0001), com taxas de sobrevida livre de progressão em 24 meses de 36%
versus 19%. A taxa de resposta objetiva foi de 53%
versus 40% (p=0,0002), com mediana de duração de resposta de 23,0
versus 12,3 meses. A mediana de sobrevida global foi de 34,9
versus 27,6 meses, sem diferença estatisticamente significativa entre os grupos (HR=0,85; IC de 95%: 0,68-1,05; p=0,061).
Eventos adversos emergentes do tratamento de grau ≥ 3 ocorreram em 84% dos pacientes tratados com a combinação e em 83% no grupo
cabozantinibe, sendo os mais frequentes anemia (19%
versus 7%), hipertensão (31%
versus 29%) e proteinúria (9%
versus 3%). Eventos adversos sérios ocorreram em 52%
versus 44% dos pacientes, e óbitos relacionados ao tratamento foram registrados em dois pacientes do braço da combinação e em um paciente do braço
cabozantinibe. A descontinuação permanente por evento adverso ocorreu em 17% dos pacientes para
belzutifano e em 23% para
lenvatinibe.
A posologia recomendada é de
belzutifano 120 mg, via oral, uma vez ao dia, associado a
lenvatinibe 20 mg, via oral, uma vez ao dia, ambos mantidos até progressão da doença ou toxicidade limitante.