Em 04 de maio de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou uma nova indicação terapêutica para o tislelizumabe em combinação com quimioterapia baseada em platina no contexto neoadjuvante, seguida de tratamento adjuvante com tislelizumabe em monoterapia, para pacientes adultos com câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP) ressecável em estágio II ou IIIA, de histologia escamosa ou não escamosa, sem tratamento sistêmico prévio. A decisão amplia o escopo regulatório do anticorpo monoclonal anti-PD-1 no Brasil, previamente aprovado para carcinoma espinocelular de esôfago e CPCNP avançado, e incorpora ao arsenal nacional uma nova opção de imunoterapia perioperatória nesse cenário curativo, somando-se às estratégias já estabelecidas com pembrolizumabe, nivolumabe e durvalumabe.
A eficácia e a segurança foram avaliadas no estudo de fase III RATIONALE-315, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, conduzido em 50 centros na China, que incluiu 453 pacientes com CPCNP ressecável em estágio II-IIIA (AJCC 8ª ed.), randomizados na proporção 1:1 para receber tislelizumabe ou placebo em combinação com quimioterapia com dupla de platina por até quatro ciclos no contexto neoadjuvante, seguida de cirurgia e tratamento adjuvante com tislelizumabe ou placebo por até oito ciclos. Os desfechos primários duplos foram a taxa de resposta patológica maior (MPR) e a sobrevida livre de eventos (SLE), com a sobrevida global como desfecho secundário-chave. As características demográficas foram: idade mediana de 62 anos, sendo 91% do sexo masculino e 9% do sexo feminino, com distribuição equilibrada entre os braços quanto a estádio clínico (estágio II em aproximadamente 35% e estágio IIIA em 65%) e histologia (predomínio de carcinoma escamoso).
Na análise interina, com seguimento mediano de 22,0 meses, o tislelizumabe perioperatório reduziu em 44% o risco de eventos ou morte (HR=0,56; IC de 95%: 0,40-0,79; p=0,0003) e elevou de forma significativa a taxa de MPR (56% versus 15%; p<0,0001), com taxa de resposta patológica completa também superior no braço experimental.
A análise final, apresentada no WCLC 2025, confirmou benefício estatisticamente significativo em sobrevida global, com redução de 35% no risco de morte (p=0,009) e manutenção do ganho em sobrevida livre de eventos. Eventos adversos de graus ≥ 3 ocorreram em 72% dos pacientes no braço tislelizumabe e em 66% no braço placebo, e eventos adversos graves relacionados ao tratamento foram observados em 15% e 8%, respectivamente. O evento adverso de grau ≥ 3 mais frequente foi a neutropenia (61% versus 59%), e a taxa de óbito durante o estudo foi de 14% no braço tislelizumabe versus 20% no braço placebo, sem comprometimento da viabilidade ou da completude cirúrgica com a adição do imunoterápico.
A posologia recomendada de tislelizumabe na fase neoadjuvante é de 200 mg, via intravenosa, a cada três semanas, associado à quimioterapia em dupla baseada em platina por até quatro ciclos, seguida de ressecção cirúrgica com intenção curativa. Na fase adjuvante, o tislelizumabe é administrado como agente único na dose de 400 mg, via intravenosa, a cada seis semanas, por até oito ciclos, ou até progressão da doença, recorrência ou toxicidade limitante.