Editores da série MOC Antonio C. Buzaid - Fernando C. Maluf - Carlos H. Barrios
|
Editor-convidado Caio Max S. Rocha Lima

Em 04 de maio de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou uma nova indicação terapêutica para o durvalumabe em combinação com a terapia padrão de instilação intravesical com bacilo de Calmette-Guérin (BCG) nos esquemas de indução e manutenção para o tratamento de pacientes adultos com câncer de bexiga não musculoinvasivo (CBNMI) de risco alto, virgens de tratamento com BCG ou com exposição prévia há > 3 anos, submetidos à ressecção transuretral do tumor vesical (RTU-TV) com intenção curativa.

A eficácia e a segurança da combinação foram avaliadas no estudo de fase III POTOMAC, randomizado, aberto, multicêntrico e global, conduzido em mais de 120 centros distribuídos por 12 países, que incluiu 1.018 pacientes com CBNMI de risco alto virgens de BCG, submetidos previamente à RTU-TV com ressecção completa, sendo permitida a inclusão de pacientes com CIS residual. A definição de risco alto contemplada no estudo abrange tumores com estágio T1 de grau alto, carcinoma in situ (CIS) ou tumores Ta múltiplos, recidivados e de grandes dimensões (≥ 3 cm). Os participantes foram randomizados na proporção 1:1:1 entre três braços de tratamento: durvalumabe associado à BCG no contexto de indução e manutenção (n=339), durvalumabe associado à BCG apenas no contexto de indução (n=339) ou BCG isoladamente em indução e manutenção (n=340). O durvalumabe foi administrado por via intravenosa na dose de 1.500 mg a cada quatro semanas, por até 13 ciclos, totalizando um ano de tratamento, enquanto o BCG intravesical foi aplicado semanalmente por seis semanas no período de indução e em três doses semanais aos 3, 6, 12, 18 e 24 meses no período de manutenção. O desfecho primário foi a sobrevida livre de doença (SLD), avaliada pelo investigador, na comparação entre durvalumabe + BCG indução e manutenção versus BCG indução e manutenção isoladamente, definida como recidiva de CBNMI de risco alto (T1, Ta de grau alto ou CIS), progressão para doença musculoinvasiva ou metastática, CIS persistente em seis meses ou óbito por qualquer causa na ausência de recidiva.

Com seguimento mediano de 60,7 meses, a adição de durvalumabe reduziu em 32% o risco de recidiva ou óbito (HR=0,68; IC de 95%: 0,50-0,93; p=0,0154), com separação precoce e sustentada das curvas a partir de menos de quatro meses de tratamento. As taxas de SLD em 24 meses foram de 86,5% no braço experimental versus 81,6% no braço controle, e a mediana de SLD não foi alcançada em nenhum dos braços. O desfecho secundário comparando durvalumabe + BCG apenas na indução versus BCG indução e manutenção não atingiu significância estatística (HR=1,14; IC de 95%: 0,86-1,50), reforçando o papel imprescindível da fase de manutenção do BCG. Eventos adversos relacionados ao tratamento de graus 3 ou 4 ocorreram em 21% dos pacientes no braço durvalumabe + BCG indução e manutenção, em 15% no braço durvalumabe + BCG indução isolada e em 4% no braço BCG indução e manutenção, sem óbitos atribuídos ao tratamento. Os eventos adversos mais frequentes em todos os braços foram disúria, hematúria e polaciúria, consistentes com o perfil já conhecido das duas terapias isoladamente.

A posologia recomendada de durvalumabe nessa indicação é de 1.500 mg por via intravenosa a cada quatro semanas, por até 13 ciclos (totalizando aproximadamente um ano de tratamento), em combinação com BCG intravesical no esquema padrão de indução (instilações semanais por seis semanas) e manutenção (três instilações semanais aos 3, 6, 12, 18 e 24 meses após o início da terapia). A combinação deve ser mantida até a conclusão dos ciclos previstos, recidiva de doença, progressão para CBNMI invasivo ou metastático ou ocorrência de toxicidade limitante.

Compartilhe

Atenção: O conteúdo deste site destina-se exclusivamente a profissionais de saúde. Nunca tome medicamentos tarjados por conta própria; siga sempre as orientações de seu médico. Os autores e editores desta obra fizeram todo esforço para assegurar que as doses e as indicações dos fármacos, bem como dos procedimentos apresentados no texto, estivessem de acordo com os padrões vigentes à época da publicação. Em virtude dos constantes avanços da Medicina e de possíveis modificações regulamentares referentes aos fármacos e procedimentos apresentados, recomendamos que o usuário consulte sempre outras fontes fidedignas, de modo a se certificar de que as informações contidas neste site estão corretas. Isso é particularmente importante no caso de fármacos ou procedimentos novos ou pouco usados. Este site, para uso exclusivo por profissionais de saúde, é editado com objetivos educacionais, estando em conformidade com a resolução no. 097/2001 do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo. Responsável técnico: Dr. Antonio Carlos Buzaid, CRM-SP 45405. Nenhuma parte pode ser reproduzida ou transmitida sem a autorização dos autores. O conteúdo deste site é produzido de forma independente e autônoma, sem qualquer interferência das empresas/instituições apoiadoras ou patrocinadoras e sem que haja qualquer obrigação por parte de seus profissionais em relação à recomendação ou prescrição dos produtos/serviços eventualmente comercializados por quaisquer dessas empresas/instituiçõesCopyright © 2026 Antonio Carlos Buzaid. Desenvolvimento: DENDRIX CNPJ 05.371.865/0001-88
Dendrix