Editores da série MOC Antonio C. Buzaid - Fernando C. Maluf - Carlos H. Barrios
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Editor-convidado Caio Max S. Rocha Lima

Destaques da ASCO 2026 Em algumas semanas, se inicia o Congresso Anual da European Society of Medical Oncology (ESMO). Como aquecimento para mais um evento repleto de novidades, o time do MOC traz aqui um resumo do que tivemos de importante apresentado durante o Congresso Anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO) de 2026, que foi realizado entre os dias 29 de maio e 02 de junho, em Chicago. Relembre, a seguir, os estudos mais relevantes apresentados no congresso e reunidos por sítio tumoral, com seus principais resultados e implicações para a prática clínica.

CÂNCER DE MAMA

Abstr 507
Neoadjuvant pembrolizumab or placebo plus chemotherapy followed by adjuvant pembrolizumab or placebo for high-risk early-stage TNBC: Final analysis results from the phase 3 KEYNOTE-522 study.

A análise final do estudo de fase III KEYNOTE-522, que randomizou 1.174 pacientes (2:1) com câncer de mama triplo-negativo (CMTN) precoce de risco alto, com mediana de seguimento de 93,8 meses, confirmou o benefício duradouro e a sobrevida global superior com pembrolizumabe perioperatório. A taxa de sobrevida livre de evento em 7 anos foi de 78,3% com pembrolizumabe versus 69,8% com placebo (HR=0,68; IC de 95%: 0,54-0,86; redução de 32% no risco de evento), e a sobrevida global em 7 anos foi de 85,1% versus 77,2% (HR=0,64; IC de 95%: 0,49-0,85), confirmando a redução de 36% no risco de morte. O benefício foi consistente na maioria dos subgrupos pré-especificados, incluindo expressão de PD-L1, status nodal e estádio. Eventos adversos relacionados ao tratamento de grau ≥3 ocorreram em 77,1% versus 73,3% e eventos imunomediados de qualquer grau em 35,0% versus 13,1%. A análise final consolida o regime pembrolizumabe + quimioterapia neoadjuvante seguido de pembrolizumabe adjuvante como padrão de cuidado para CMTN precoce de alto risco.

Abstr 1011
Primary Results From the Triple-Negative Cohort of TBCRC-053 (P-RAD): A Randomized Trial of No, Low, or High-Dose Preoperative Radiation With Pembrolizumab and Chemotherapy in Node-Positive Breast Cancer.

O ensaio randomizado TBCRC-053 (P-RAD) avaliou se a adição de radioterapia pré-operatória ao tumor primário, em dose nula (0 Gy), baixa (9 Gy) ou alta (24 Gy), concomitante ao pembrolizumabe e seguida de quimioimunoterapia, poderia aumentar a infiltração tumoral por células T e as respostas patológicas em pacientes com CMTN linfonodo-positivo (cerca de um quarto dessas pacientes não atinge resposta nodal completa com o regime do KEYNOTE-522). Entre 55 pacientes incluídas, 48 foram avaliáveis para infiltração de células T e 51 para resposta nodal ypN0. A proporção de tumores com infiltração de células T no quartil superior em 2 semanas aumentou significativamente com radioterapia + pembrolizumabe, mas não com pembrolizumabe isolado, em comparação à coorte pré-tratamento: 44% (0 Gy; p não significativo), 80% (9 Gy; p<0,0001) e 82% (24 Gy; p<0,0001). As taxas de ypN0 foram de 73,3% (0 Gy), 88,2% (9 Gy) e 78,9% (24 Gy), e as de RCp de 66,6%, 76,5% e 68,4%, respectivamente. Tumores com infiltração de células T no quartil superior em 2 semanas apresentaram maior taxa de ypN0 (94% versus 46%; p=0,0009). Os dados abrem a hipótese de otimização da resposta à quimioimunoterapia com estímulo imunogênico local, gerando base para ensaios maiores.

Abstr 505
Prediction of axillary response in 5,262 patients with node-positive breast cancer treated with neoadjuvant chemotherapy: Results from the prospective multicenter AXSANA/EUBREAST-03/AGO-B-053 study.

O estudo prospectivo multicêntrico AXSANA/EUBREAST-03, sobre o manejo cirúrgico da axila em câncer de mama clinicamente linfonodo-positivo (cN+) tratado com quimioterapia neoadjuvante, incluiu 7.071 pacientes em 288 centros de 26 países, dos quais 5.262 já haviam sido operados no momento desta análise. As taxas de resposta patológica completa nodal (ypN0) variaram por subtipo biológico: 86,1% em RH negativo/HER-2 positivo, 70,7% em RH positivo /HER-2 positivo, 68,5% em triplo-negativo e 30,5% em RH positivo/HER-2 negativo (p<0,001). A taxa foi maior no carcinoma invasivo de tipo não especial (55,6%) do que no lobular (35,2%) e no histológico misto (43,8%; p<0,001). Em contraste, o número de linfonodos suspeitos ao diagnóstico não se associou à resposta axilar (ypN0 de 54,4% com 1 a 3 linfonodos versus 53,6% com ≥ 4; p=0,670), achado confirmado na análise multivariada. Os resultados indicam que a biologia tumoral, e não a extensão do acometimento nodal inicial, determina a resposta axilar, questionando diretrizes que restringem o desescalonamento cirúrgico a pacientes com baixa carga axilar ao diagnóstico.

Abstr 502
Efficacy and safety of giredestrant (GIRE) in patients (pts) with estrogen receptor–positive, HER2-negative early breast cancer (ER+, HER2– eBC) in the phase III lidERA BC clinical trial: Results by menopausal status.

O estudo de fase III lidERA avaliou o giredestranto, degradador seletivo do receptor de estrogênio oral de nova geração, versus hormonioterapia padrão (inibidor de aromatase ou tamoxifeno) como tratamento adjuvante em pacientes com câncer de mama precoce RE positivo/HER-2 negativo estádios I a III. Na análise por status menopausal apresentada na ASCO 2026 (população de eficácia de 4.170 pacientes, 40,7% pré-menopáusicas), o giredestranto melhorou a sobrevida livre de doença invasiva tanto em pré-menopáusicas (HR=0,65; taxa em 3 anos de 94,0% versus 91,5%) quanto em pós-menopáusicas (HR=0,74; 91,3% versus 88,3%). O intervalo livre de recorrência à distância seguiu a mesma tendência (HR=0,58 e 0,76, respectivamente), correspondendo a reduções de 42% e 24% no risco de doença metastática. Os eventos adversos foram comparáveis entre os subgrupos, com menos descontinuações por eventos adversos com giredestranto do que com inibidor de aromatase (descontinuação por dor musculoesquelética de 1,6% versus 4,5%). Os dados foram consistentes em pacientes pré e pós-menopáusicas, posicionando o giredestranto como potencial novo padrão adjuvante quando aprovado.

Abstr 501
Prognostic and predictive impact of baseline gene expression (exp) in the NATALEE trial of adjuvant (adj) ribociclib (RIB) + nonsteroidal aromatase inhibitor (NSAI) in HR+/HER2− early breast cancer (EBC).

Esta análise translacional do estudo NATALEE avaliou o impacto prognóstico e preditivo da expressão gênica basal em 3.022 amostras cirúrgicas de pacientes com câncer de mama precoce RH positivo/HER-2 negativo tratadas com ribociclibe + inibidor de aromatase não esteroidal (IANS) versus IANS isolado no contexto adjuvante. O benefício em sobrevida livre de doença invasiva foi consistente na população com biomarcadores (HR=0,72) e na população por intenção de tratar (HR=0,71). Os subtipos intrínsecos PAM50 foram fortemente prognósticos (HR em relação ao luminal A: luminal B 1,39; HER-2 enriquecido 2,62; basaloide 3,92), e o ribociclibe apresentou benefício em todos eles (HR: luminal A 0,77; luminal B 0,71; HER-2 enriquecido 0,50; basaloide 0,42), sem interação significativa entre subtipo e tratamento (p=0,34). Escores mais altos de risco genômico e de proliferação mostraram tendência a maior benefício, e pacientes N0 apresentaram escores mais elevados do que as N1-N3. Os achados sustentam o benefício do ribociclibe adjuvante em todo o espectro biológico do câncer de mama precoce RH positivo /HER-2 negativo, incluindo pacientes de menor risco anatômico.

Abstr 500
First results from the OPTIMA phase III randomized non-inferiority trial of test-directed chemotherapy in patients with high clinical risk ER-positive HER2-negative early breast cancer.

O estudo de fase III OPTIMA randomizou 4.429 pacientes com câncer de mama precoce RE-positivo/HER-2 negativo de alto risco clínico (majoritariamente com linfonodos positivos) para quimioterapia seguida de hormonioterapia para todos (braço controle) ou quimioterapia apenas para pacientes com escore de risco de recorrência > 60 pelo teste Prosigna/PAM50 (escore ≤ 60 recebeu hormonioterapia isolada). Com seguimento mediano de 3,9 anos, a sobrevida livre de câncer de mama invasivo em 5 anos foi de 91,5% (controle) versus 90,4% (braço guiado por teste) (HR=0,99; IC de 90%: 0,81-1,20; p=0,013 para não inferioridade), confirmando a não inferioridade da estratégia guiada pelo teste genômico. Entre pacientes com escore baixo (68% da coorte), as taxas foram de 94,9% com quimioterapia versus 93,7% sem quimioterapia (HR=1,06; IC de 90%: 0,78-1,46; p=0,0051 para não inferioridade), sem heterogeneidade por status menopausal ou nodal, validando a omissão da quimioterapia nos pacientes identificados como risco baixo pelo teste genômico, mesmo entre os de alto risco clínico.

Abstr LBA1000
Progression-free survival after next line of treatment (PFS2) and subsequent therapies (subs tx) in the ASCENT-04 study of participants (pts) with previously untreated PD-L1+ metastatic triple-negative breast cancer (mTNBC) treated with sacituzumab govitecan (SG) plus pembrolizumab (pembro) vs chemotherapy (chemo) plus pembro.

O estudo de fase III ASCENT-04/KEYNOTE-D19 randomizou 443 pacientes com CMTN avançado PD-L1 positivo, sem tratamento prévio para doença metastática, para sacituzumabe govitecana (anticorpo conjugado a droga anti-TROP2) + pembrolizumabe versus quimioterapia + pembrolizumabe. Na análise primária, a combinação reduziu o risco de progressão ou morte em 35% (SLP mediana de 11,2 versus 7,8 meses; HR=0,65; IC de 95%: 0,51-0,84; p<0,001). Na ASCO 2026 foram apresentados os dados de SLP2: a mediana não foi atingida com sacituzumabe govitecana + pembrolizumabe versus 21,0 meses no controle (HR=0,67; IC de 95%: 0,48-0,95; p nominal=0,0224), com taxas de SLP2 em 24 meses de 63,7% versus 45,6%, apesar de 81% das pacientes do braço controle que receberam terapia subsequente terem recebido sacituzumabe govitecana. O tempo até a primeira terapia subsequente foi de 17,3 versus 9,8 meses. A FDA aprovou a combinação em 24 de junho de 2026 como novo padrão de primeira linha para CMTN avançado PD-L1 positivo. Os dados representam uma mudança paradigmática no uso precoce de anticorpos conjugados a droga nessa doença.

Abstr 1021
A DESTINY-Breast09 analysis of treatment duration and clinical outcomes by best response to trastuzumab deruxtecan (T-DXd) + pertuzumab (P).

O estudo de fase III DESTINY-Breast09 demonstrou que trastuzumabe deruxtecana (T-DXd) + pertuzumabe em primeira linha melhora significativamente a SLP versus taxano + trastuzumabe + pertuzumabe no câncer de mama HER-2 positivo avançado, resultado que levou à aprovação nos EUA em dezembro de 2025. Nesta análise exploratória das 377 pacientes avaliáveis do braço T-DXd + pertuzumabe, 15,4% tiveram resposta completa, 71,1% resposta parcial e 13,5% doença estável ou progressão. O tempo mediano até resposta parcial foi de 1,5 mês e até resposta completa de 8,4 meses, e a redução tumoral máxima ocorreu em cerca de 11 meses. A duração mediana do tratamento foi de 28,0 meses nas respondedoras completas, 22,2 meses nas parciais e 4,4 meses nas demais, com SLP em 24 meses de 85,1%, 72,9% e 35,5%, respectivamente. As taxas de doença pulmonar intersticial/pneumonite foram semelhantes entre os grupos (12,1%, 11,9% e 12,2%). Os dados reforçam a importância de manter o tratamento de forma sustentada para atingir a resposta máxima.

Abstr LBA1007
First-line (1L) camizestrant (CAMI) for emergent ESR1 mutations (ESR1m) in advanced breast cancer (ABC): Final progression-free survival 2 (PFS2) from the phase III SERENA-6 trial.

O estudo de fase III SERENA-6 avaliou a estratégia de monitorização seriada de DNAtc para identificar precocemente mutações emergentes de ESR1 em 315 pacientes com câncer de mama avançado RHpositivo /HER-2 negativo em tratamento de primeira linha com inibidor de aromatase + inibidor de CDK4/6, randomizando para troca antecipada ao camizestranto (degradador seletivo do receptor de estrogênio oral) ou manutenção do inibidor de aromatase, ambos com o inibidor de CDK4/6. Com seguimento mediano de 23,5 meses, a troca para camizestranto reduziu o risco de progressão ou morte em 55% (HR=0,45; p<0,00001), com SLP mediana de 16,8 versus 9,2 meses e taxa de SLP em 30 meses de 30,4% versus 2,7%. A SLP2 final foi de 25,7 versus 19,1 meses (HR=0,63; IC de 95%: 0,46-0,86; p=0,00373), e a sobrevida livre de quimioterapia ou anticorpo conjugado a droga também foi prolongada (HR=0,64). Com 30% de maturidade, o HR de sobrevida global foi de 0,87 (IC de 95% 0,57-1,30). Os resultados foram positivos, e outras agências regulatórias ao redor do mundo aprovaram camizestranto nesse cenário baseadas nestes resultados.

Abstr LBA1006
Giredestrant (GIRE) + palbociclib (PALBO) vs letrozole (LET) + PALBO as first-line (1L) therapy in patients (pts) with estrogen receptor–positive, HER2-negative locally advanced or metastatic breast cancer (ER+, HER2– LA/mBC): Primary analysis of the phase III persevERA BC trial.

O estudo de fase III persevERA BC, com 992 pacientes, não atingiu significância estatística para o desfecho primário de SLP ao comparar giredestranto + palbociclibe versus letrozol + palbociclibe em primeira linha de câncer de mama avançado RE positivo /HER-2 negativo (SLP mediana de 33,1 versus 28,2 meses; HR=0,89; IC de 95%: 0,76-1,05; p=0,1553), com seguimento mediano de 52,2 meses. Apesar do benefício numérico de 4,9 meses com giredestranto, a diferença não atingiu o limiar estatístico pré-especificado. A taxa de resposta objetiva foi semelhante (60,2% versus 58,8%), a duração mediana da resposta foi de 38,5 versus 30,4 meses e o HR de sobrevida global foi de 1,03. O estudo é negativo e não altera a prática clínica, mas mantém o interesse no giredestranto em outros contextos, notadamente no cenário adjuvante (estudo lidERA), onde os resultados foram positivos.

Abstr 1002
First-line datopotamab deruxtecan (Dato-DXd) vs chemotherapy in patients with locally recurrent inoperable or metastatic triple-negative breast cancer (TNBC) for whom immunotherapy was not an option: Additional efficacy endpoints from the TROPION-Breast02 study. A atualização do TROPION-Breast02, com seguimento mediano de 27,5 meses, confirmou benefício do datopotamabe deruxtecana (Dato-DXd) versus quimioterapia de escolha do investigador em 644 pacientes com CMTN avançado sem tratamento prévio, para quem a imunoterapia não era uma opção. Na análise primária, o Dato-DXd já havia melhorado a sobrevida global (HR=0,79; IC de 95%: 0,64-0,98) e a SLP (HR=0,57; IC de 95%: 0,47-0,69). Nos desfechos adicionais, a SLP2 foi de 15,6 versus 11,8 meses (HR=0,61; IC de 95%: 0,50-0,74), o tempo até a primeira terapia subsequente foi de 10,9 versus 5,6 meses (HR=0,49; IC de 95%: 0,41-0,59) e o tempo até a segunda terapia subsequente foi de 16,7 versus 12,6 meses (HR=0,67; IC de 95%: 0,55-0,81). O perfil de segurança do Dato-DXd foi consistente e manejável. O estudo corrobora o papel dos anticorpos conjugados a droga anti-TROP2 no cenário do CMTN.

Abstr 1004
Prevalence of symptomatic skeletal events (SSE) with reduced denosumab (Dmab) dose density (every 12 weeks versus every 4 weeks): A randomized phase III non-inferiority trial SAKK 96/12 REDUSE.

O estudo de fase III SAKK 96/12 REDUSE randomizou 1.380 pacientes com metástases ósseas (57% câncer de mama, 43% câncer de próstata resistente à castração) para receber denosumabe 120 mg a cada 4 semanas (padrão) versus denosumabe a cada 12 semanas após uma fase de indução de 4 doses mensais. Com seguimento mediano de 37 meses, o tempo mediano até o primeiro evento esquelético sintomático foi de 56,6 meses no grupo de 4 semanas versus 56,5 meses no grupo de 12 semanas (HR=1,023; IC de 90%: 0,874-1,197), com limite superior abaixo da margem de 1,20, atingindo o desfecho de não inferioridade. O esquema de 12 semanas associou-se a menor taxa de hipocalcemia (30% versus 46%) e de osteonecrose de mandíbula (6,9% versus 8,5%). Os dados permitem reduzir a frequência de administração do denosumabe a um terço, com eficácia equivalente e menor toxicidade, carga de tratamento e custo.

Abstr 1020
Impact of bevacizumab on the efficacy of antibody–drug conjugates as later-line treatment of basal-like immune-suppressed triple-negative breast cancer.

O estudo de plataforma de fase II FUTURE 2.0 avaliou a adição de bevacizumabe a anticorpos conjugados a droga em 100 mulheres com CMTN do subtipo basaloide imunossuprimido (BLIS), subtipo de pior prognóstico e com sinais prévios de sensibilidade à terapia antiangiogênica, após ao menos uma linha de tratamento para doença avançada. Nas pacientes HER-2 baixo, a taxa de resposta objetiva confirmada foi de 40,0% com SHR-A1811 (conjugado anti-HER2) isolado e de 86,7% com a adição de bevacizumabe; nas HER-2 zero, foi de 40,0% com SHR-A1921 (conjugado anti-TROP2) isolado e de 83,3% com bevacizumabe. A SLP mediana foi de 9,2 meses com as combinações versus 4,6 meses com a monoterapia (HR=0,47; IC de 95%: 0,30-0,74). Eventos adversos de grau ≥3 relacionados ao tratamento ocorreram em 33,3% versus 27,5%, sem mortes relacionadas. Os dados sugerem sinergia entre bevacizumabe e anticorpos conjugados a droga nesse subgrupo, e ensaios de fase III estão em andamento para confirmar a estratégia.

TUMORES GENITURINÁRIOS

Abstr LBA1
Perioperative (neoadjuvant and adjuvant) apalutamide (APA) + androgen deprivation therapy (ADT) vs placebo (PBO) + ADT with radical prostatectomy (RP) in high-risk localized or locally advanced prostate cancer (HR LPC/LAPC): Final analysis of the PROTEUS phase 3 study.

O maior ensaio terapêutico já realizado em câncer de próstata localizado, o estudo de fase III PROTEUS randomizou 2.109 pacientes com doença localizada ou localmente avançada de risco alto submetidos à prostatectomia radical para um ano de apalutamida perioperatória (6 meses neoadjuvante e 6 meses adjuvante) associada à privação androgênica versus placebo + privação androgênica. O desfecho primário de resposta patológica completa/doença residual mínima foi atingido em 8,9% versus 1,0% (odds ratio [OR] 10,17; p<0,0001), e a sobrevida livre de metástase por revisão central também foi significativamente melhor (HR=0,80; IC de 95%: 0,67-0,96; p=0,0169), com taxa em 5 anos de 78,2% versus 73,5%. A sobrevida livre de eventos mediana aumentou de 38,4 para 57,1 meses com apalutamida (HR=0,71). Eventos adversos de grau 3/4 ocorreram em 39,6% versus 31,0%. Os resultados apontam a apalutamida perioperatória como um potencial novo tratamento para essa população de alto risco.

Abstr LBA5007
TALAPRO-3: Talazoparib (TALA) + enzalutamide (ENZA) compared with placebo (PBO) + ENZA for the treatment of patients (pts) with metastatic castration-sensitive prostate cancer (mCSPC) harboring homologous recombination repair (HRR) gene alterations.

O estudo de fase III TALAPRO-3 randomizou 599 pacientes com câncer de próstata metastático sensível à castração e alterações em genes de reparo por recombinação homóloga para receber talazoparibe associado a enzalutamida ou placebo + enzalutamida. Com seguimento mediano de 37,6 meses, a combinação com inibidor de PARP reduziu o risco de progressão radiográfica ou morte em 52% (HR=0,481; IC de 95%: 0,357-0,647; p<0,0001), com SLP radiográfica mediana não atingida versus 45,8 meses. O benefício foi observado tanto no subgrupo com mutação de BRCA (HR=0,368) quanto no subgrupo sem mutação de BRCA (HR=0,567). A análise interina de sobrevida global favoreceu a combinação, ainda sem significância estatística (HR=0,767; IC de 95%: 0,564-1,044). Anemia foi o evento adverso mais comum (71,2%), e 18,7% descontinuaram o talazoparibe por eventos adversos. Os dados reforçam a estratégia de combinação de inibidor da via do receptor androgênico com inibidor de PARP nessa população, com resultados de sobrevida global ainda em maturação.

Abstr 5020
Subgroup analyses by disease volume and de novo/recurrent mHSPC in the PSMAddition study of [177Lu]Lu-PSMA-617.

O ensaio de fase III PSMAddition avaliou a adição de seis ciclos de [177Lu]Lu-PSMA-617 ao padrão de cuidado (privação androgênica + inibidor da via do receptor androgênico) versus o padrão isolado, em 1.144 pacientes com câncer de próstata metastático hormônio-sensível PSMA-positivo. Nesta análise por subgrupos, o benefício em SLP radiográfica foi semelhante na população geral (HR=0,72; IC de 95%: 0,58-0,90), na doença de alto volume (HR=0,72; IC de 95%: 0,56-0,92), de baixo volume (HR=0,73; IC de 95%: 0,42-1,27), de novo (HR=0,74; IC de 95%: 0,54-1,01) e recorrente (HR=0,74; IC de 95%: 0,53-1,04). O tempo até progressão do PSA também favoreceu o [177Lu]Lu-PSMA-617 em todos os subgrupos (HR=0,29 a 0,51), e a incidência de eventos adversos, incluindo citopenias e xerostomia, foi semelhante entre os subgrupos. Os dados reforçam o papel da terapia com radioligante na doença hormônio-sensível, independentemente do volume de doença ou da apresentação, com sobrevida global em maturação.

Abstr 5019
Canadian Cancer Trials Group (CCTG) study PR21 (PLUDO): Results of crossover treatment from a randomized trial of 177Lu-PSMA-617 (LuP) vs docetaxel (DOC) in patients with metastatic castration-resistant prostate cancer (mCRPC).

O estudo randomizado de fase II PLUDO (CCTG PR21) comparou [177Lu]Lu-PSMA-617 versus docetaxel em 199 pacientes com câncer de próstata resistente à castração metastático PSMA-positivo após progressão a inibidor da via do receptor androgênico, permitindo cruzamento na progressão. Na análise primária, não houve diferença em SLP radiográfica de primeira linha (HR=1,01), mas a sobrevida global favoreceu quem iniciou com docetaxel (HR=1,64; IC de 95%: 1,14-2,35). Nesta análise, 104 pacientes receberam as duas terapias (42 [177Lu]Lu-PSMA-617 seguido de docetaxel e 62 na sequência inversa), sem diferença em SLP radiográfica de segunda linha (4,8 versus 5,4 meses; HR=0,86), SLP2 (18,5 versus 15,8 meses; HR=0,91) ou sobrevida global (23,2 versus 20,0 meses; HR=0,88; IC de 95%: 0,50-1,53). A queda de PSA ≥50% foi maior com docetaxel no cruzamento do que com [177Lu]Lu-PSMA-617 (69% versus 40%; p=0,004), e pacientes que não fizeram cruzamento tiveram pior sobrevida. Os dados sugerem que o desequilíbrio no cruzamento explica a diferença de sobrevida global e orientam discussões sobre a melhor sequência individualizada no câncer de próstata resistente à castração metastático pré-quimioterapia.

Abstr 4507
Enfortumab vedotin plus pembrolizumab (EV+P) vs chemotherapy for previously untreated locally advanced or metastatic urothelial carcinoma (la/mUC): 3.5-year follow-up and response analyses from the phase 3 EV-302 study.

Com seguimento mediano de 42,8 meses, o estudo de fase III EV-302/KEYNOTE-A39, que randomizou 886 pacientes com carcinoma urotelial localmente avançado ou metastático sem tratamento prévio para enfortumabe vedotina + pembrolizumabe versus gencitabina + cisplatina ou carboplatina, manteve o benefício de sobrevida global da combinação (mediana de 33,6 versus 15,9 meses; HR 0,53; IC de 95%: 0,45-0,63), com taxa de sobrevida global em 42 meses de 44,0% versus 24,6% e sem novos sinais de segurança. Entre os respondedores, 45,1% atingiram resposta completa com enfortumabe vedotina + pembrolizumabe versus 32,8% com quimioterapia. Dois terços (66,2%) das respostas completas no braço experimental surgiram por conversão a partir de uma resposta parcial inicial, após mediana de 5 ciclos adicionais de enfortumabe vedotina. Nesse subgrupo, a sobrevida global mediana não foi estimável, e a taxa de sobrevida em 42 meses foi de 82,4%. No braço experimental, a quimioterapia com platina foi o tratamento subsequente mais comum (30,5%), com resposta em 20,7% dos pacientes avaliáveis. Os dados consolidam enfortumabe vedotina + pembrolizumabe como padrão de primeira linha e sugerem que a duração do tratamento é relevante para maximizar os resultados.

Abstr 4504
Feasibility and safety results from RAD-IO: A multi-stage trial of durvalumab with chemoradiotherapy with 5-fluorouracil and mitomycin C in patients with muscle-invasive bladder cancer.

O estudo RAD-IO avaliou a adição de durvalumabe (antes, durante e por 12 meses após o tratamento) à quimiorradioterapia com 5-fluorouracila e mitomicina C em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo T2-T4a N0-N2 M0 tratados com intenção de preservação vesical. Após cumprir os critérios de viabilidade e segurança da etapa randomizada, o estudo passou a um desenho de braço único, com 55 participantes (73% com doença T2N0 e 74,5% receberam quimioterapia neoadjuvante). Todos os 54 pacientes que iniciaram o tratamento completaram a radioterapia planejada (55 Gy em 20 frações), 87% no prazo previsto. Nos dados preliminares, com 48 pacientes avaliáveis, a SLD em 1 ano (desfecho primário) foi de 79%, e as estimativas em 12 meses foram de 83% para SLP, 72% para SLD por Kaplan-Meier e 96% para sobrevida global. Três eventos adversos graves levaram à descontinuação do tratamento, e o perfil de segurança foi compatível com o já conhecido para a quimiorradioterapia e o durvalumabe. Os resultados comparam-se favoravelmente aos desfechos prévios do grupo com quimiorradioterapia isolada (SLD em 1 ano de referência de 60%) e justificam investigação adicional.

Abstr 4503
Intravesical recombinant BCG combined with chemo-immunotherapy (chemo-IO) as perioperative therapy for patients with muscle-invasive bladder cancer (MIBC): Primary analysis of SAKK 06/19.

O estudo de fase II SAKK 06/19 foi o primeiro a combinar o BCG recombinante intravesical (VPM1002BC) à quimioimunoterapia perioperatória com atezolizumabe, cisplatina e gencitabina em 47 pacientes com câncer de bexiga musculoinvasivo cT2-T4a N0-1 elegíveis à cisplatina e à cistectomia radical. O BCG foi instilado semanalmente por 3 semanas, seguido de 4 ciclos de quimioterapia com atezolizumabe e cistectomia, com atezolizumabe adjuvante reservado aos pacientes com doença ≥ypT2 ou ypN+. Dos 40 pacientes operados (7 não fizeram a cistectomia, 6 por recusa), a RCp por revisão central foi de 65%, superando a hipótese nula de 35%, e a resposta patológica (≤ypT1N0) foi de 80%. Considerando todos os pacientes incluídos, a RCp foi de 55%. Eventos adversos de grau 3 relacionados ao BCG ocorreram em 9%, sem mortes relacionadas ao tratamento. Com seguimento mediano de 11,8 meses, a SLE em 1 ano foi de 88% e a sobrevida global de 95%. As taxas de resposta estão entre as mais altas já descritas em população não selecionada e abrem perspectiva para estratégias de preservação vesical.

Abstr 4501
A prospective, multi-center, phase Ib/II trial of first-line cadonilimab plus axitinib in advanced non–clear cell renal cell carcinoma.

O estudo multicêntrico de fase Ib/II avaliou, em primeira linha, o cadonilimabe, anticorpo biespecífico anti-PD-1/CTLA-4, associado ao axitinibe em 37 pacientes com carcinoma de células renais de histologia não células claras avançado, independentemente da expressão de PD-L1. Não houve toxicidades limitantes de dose na fase Ib, e a dose recomendada de cadonilimabe foi de 10 mg/kg a cada 3 semanas. Na fase II (n=31), a taxa de resposta objetiva foi de 51,6% e a taxa de controle de doença de 96,8%. Na coorte total, a taxa de resposta foi de 51,4% e a SLP mediana de 17,3 meses, com sobrevida global mediana ainda não atingida após seguimento mediano de 14,4 meses. Eventos adversos de grau ≥3 relacionados ao tratamento ocorreram em 58,1% dos pacientes da fase II, considerados esperados e manejáveis. Os resultados indicam eficácia promissora nos diferentes subtipos histológicos dessa doença rara e heterogênea, para a qual as evidências terapêuticas ainda são limitadas.

Abstr 4521
Final results of a phase 2 trial of cabozantinib plus nivolumab (CaboNivo) in patients with non–clear cell renal cell carcinoma (nccRCC).

A análise final do estudo de fase II com cabozantinibe + nivolumabe incluiu 60 pacientes com carcinoma de células renais de histologia não células claras avançado, com até uma linha prévia de tratamento (sem imunoterapia prévia). Na coorte 1 (n=53, com histologias papilífera, não classificada ou associada a translocação), 74% eram virgens de tratamento, a taxa de resposta objetiva foi de 43%, chegando a 88% nos tumores deficientes em FH, 38% naqueles não classificados com características papilíferas, 31% no papilífero e 20% nos associados a translocação. A SLP mediana foi de 11 meses e a sobrevida global mediana de 28 meses, com seguimento mediano de 50 meses entre os sobreviventes. Na coorte 2 (carcinoma cromófobo, n=7), não houve respostas objetivas, e a coorte foi encerrada precocemente. A toxicidade levou à descontinuação do cabozantinibe em 42% e do nivolumabe em 38% dos pacientes. Os resultados justificam cabozantinibe + nivolumabe como opção padrão de primeira linha para as histologias papilífera, não classificada e associada a translocação, com destaque para os tumores deficientes em FH.

Abstr LBA4511
Durvalumab monotherapy versus active monitoring for resected primary renal cell carcinoma in RAMPART: An international, phase 3, randomized controlled trial.

O estudo de fase III RAMPART randomizou 790 pacientes (3:2:2) com carcinoma de células renais ressecado e risco intermediário ou alto de recidiva pelo escore de Leibovich, ou com metástases limitadas completamente ressecadas, para observação ativa, 1 ano de durvalumabe ou 1 ano de durvalumabe + tremelimumabe. O recrutamento foi interrompido antes do previsto depois que o estudo KEYNOTE-564 tornou o pembrolizumabe adjuvante uma opção. Na comparação do durvalumabe em monoterapia (n=225) com a observação (n=340), não foi demonstrada redução no risco de recorrência ou morte (HR=0,74; IC de 95%: 0,53-1,04; p=0,041), com SLD em 3 anos de 78% versus 72% e sem interação com o grupo de risco (alto risco, HR=0,77; risco intermediário, HR 0,64). Em contraste, durvalumabe + tremelimumabe melhorou significativamente a SLD (HR=0,65; IC de 95%: 0,45-0,93), com benefício concentrado nos pacientes de maior risco (HR=0,52). Os dados não sustentam o uso de durvalumabe isolado como tratamento adjuvante do carcinoma de células renais.

CÂNCER COLORRETAL

Abstr LBA3503
BREAKWATER: Progression-free and overall survival analyses of first-line (1L) encorafenib + cetuximab (EC) + FOLFIRI in BRAF V600E-mutant metastatic colorectal cancer (mCRC).

A Coorte 3 do estudo de fase III BREAKWATER avaliou encorafenibe + cetuximabe + FOLFIRI versus FOLFIRI com ou sem bevacizumabe em primeira linha para 147 pacientes com câncer colorretal metastático com mutação BRAF V600E, após o estudo já ter demonstrado benefício da combinação com mFOLFOX6. O desfecho primário de taxa de resposta objetiva já havia sido atingido (64,4% versus 39,2%). Na ASCO 2026, a SLP mediana foi de 15,2 versus 8,3 meses (HR=0,44; IC de 95%: 0,27-0,70; p=0,0002), e a sobrevida global mediana não foi atingida com a combinação versus 20,3 meses no controle (HR=0,56; IC de 95%: 0,34-0,94), com sobrevida global em 18 meses de 72,0% versus 54,5%. Eventos adversos de grau 3/4 ocorreram em 70% versus 81%, sem novos sinais de segurança. Esses dados ampliam as opções de primeira linha com encorafenibe + cetuximabe associados à quimioterapia (mFOLFOX6 ou FOLFIRI) para uma das mutações com pior prognóstico em câncer colorretal metastático.

Abstr 3512
Phase III CR-SEQUENCE trial of FOLFOX+panitumumab followed by FOLFIRI+bevacizumab (SEQ1) versus FOLFOX + bevacizumab followed by FOLFIRI + panitumumab (SEQ2) in previously untreated RAS wild-type, left-sided, unresectable metastatic colorectal cancer.

O estudo de fase III TTD-18-01-CR-SEQUENCE investigou a sequência ótima de panitumumabe (anti-EGFR) e bevacizumabe (anti-VEGF) com quimioterapia em 418 pacientes com câncer colorretal metastático RAS selvagem e tumor primário esquerdo, comparando FOLFOX + panitumumabe seguido de FOLFIRI + bevacizumabe (SEQ1) versus FOLFOX + bevacizumabe seguido de FOLFIRI + panitumumabe (SEQ2). O desfecho primário não foi atingido: a taxa de SLP em 36 meses foi de 28,57% versus 22,36% (p=0,224). A SEQ1 resultou em maior taxa de resposta objetiva em primeira linha (80,95% versus 64,25%; p<0,01) e maior SLP de primeira linha (14,09 versus 12,39 meses; p=0,03), enquanto a SEQ2 teve maior resposta em segunda linha (40,43% versus 27,27%; p=0,03). A SLP total (22,93 versus 21,39 meses) e a sobrevida global (36,57 versus 31,74 meses; p=0,2949) não diferiram significativamente. Os dados ampliam a compreensão sobre o sequenciamento em câncer colorretal metastático, embora não alterem isoladamente as recomendações-padrão.

Abstr LBA3508
Adjuvant aspirin for stage III colorectal cancer after curative resection: Primary analysis of the randomized double-blind placebo-controlled phase III trial (EPISODE-III: JCOG1503C).

O ensaio de fase III EPISODE-III/JCOG1503C, duplo-cego e controlado por placebo, conduzido no Japão, avaliou a adição de ácido acetilsalicílico (100 mg/dia por 3 anos) à quimioterapia adjuvante padrão (mFOLFOX6, CAPOX ou capecitabina) em 882 pacientes com câncer colorretal estádio III submetidos à ressecção curativa, com base em evidências epidemiológicas de que o ácido acetilsalicílico pode reduzir o risco de recorrência. O desfecho primário de sobrevida livre de doença (SLD) não foi atingido: a SLD em 3 anos foi de 78,8% com ácido acetilsalicílico versus 75,4% com placebo (HR=0,84; IC de 95%: 0,65-1,09; p unilateral=0,0987), e a sobrevida global em 3 anos foi de 95,2% versus 96,6%. Eventos adversos de grau ≥3 relacionados ao ácido acetilsalicílico ocorreram em menos de 1%. O resultado está em linha com outros ensaios em populações não selecionadas, e análises de biomarcadores (incluindo alterações de PI3K/PIK3CA) estão em andamento.

Abstr LBA3500
Disease-free survival (DFS) and time to recurrence (TTR) with circulating tumor (ct) DNA–based decision for adjuvant treatment in colon cancer stage II (CIRCULATE): An AIO (KRK-0217)/ABCSG trial. O ensaio randomizado CIRCULATE (AIO KRK-0217/ABCSG) utilizou teste de DNAtc por sequenciamento de nova geração, informado pelo tumor, para guiar a decisão sobre quimioterapia adjuvante em pacientes com câncer de cólon pMMR/MSS estádio II, contando com 2.126 pacientes que foram rastreados em 138 centros alemães e austríacos, e 1.396 foram randomizados. Apenas 2,9% dos pacientes randomizados eram DNAtc-positivos. A positividade do DNAtc foi fortemente prognóstica (SLD em 3 anos de 87% nos negativos versus 52% nos positivos; HR=0,23). Na análise por protocolo, a quimioterapia reduziu a taxa de recorrência em 3 anos (19% versus 62%; HR=0,21; p=0,009) e melhorou a SLD em 3 anos (77% versus 38%; HR=0,28; p=0,022) em relação à observação nos DNAtc-positivos. Na análise por intenção de tratar, as diferenças não foram significativas (SLD de 61% versus 38%; p=0,12). Trata-se da primeira evidência randomizada prospectiva de que a quimioterapia adjuvante guiada por DNAtc pode melhorar desfechos no estádio II, ainda que com limitações pelo encerramento precoce e pelo número reduzido de positivos.

CÂNCER DE ESÔFAGO E ESTÔMAGO

Abstr 4042
Characterization and management of gastrointestinal (GI) adverse events (AEs) with zanidatamab + chemotherapy (CT) ± tislelizumab in first-line (1L) HER2-positive (HER2+) locally advanced or metastatic gastroesophageal adenocarcinoma (mGEA): Analysis from HERIZON-GEA-01.

No estudo de fase III HERIZON-GEA-01, a substituição do trastuzumabe pelo zanidatamabe (anticorpo biespecífico anti-HER2), associado à quimioterapia com ou sem tislelizumabe, melhorou significativamente a SLP e, com tislelizumabe, a sobrevida global em adenocarcinoma gastroesofágico HER-2 positivo avançado de primeira linha. Esta análise caracterizou os eventos adversos gastrointestinais: diarreia de qualquer grau ocorreu em 83,0% (zanidatamabe + tislelizumabe + quimioterapia), 79,0% (zanidatamabe + quimioterapia) e 53,3% (trastuzumabe + quimioterapia), com grau ≥3 em 24,8%, 20,0% e 12,9%, respectivamente. Nos braços com zanidatamabe, cerca de 77% a 80% dos primeiros episódios ocorreram nas 3 primeiras semanas, com duração mediana de 2,0 a 2,4 semanas. A diarreia raramente levou à descontinuação da terapia anti-HER-2 (4,1%, 1,3% e 0,3%) e foi mais frequentemente manejada com redução da dose da quimioterapia. Os dados apoiam a profilaxia com loperamida e ajustes de quimioterapia para viabilizar o uso do zanidatamabe como potencial substituto do trastuzumabe nesse cenário.

Abstr 4007
ONO-4578 combined with nivolumab (NIVO) and chemotherapy (chemo) as first-line (1L) treatment for patients with HER2-negative unresectable advanced or recurrent (adv/rec) gastric/gastroesophageal junction cancer (G/GEJ): A randomized, double-blind, phase 2 trial (ONO-4578-08).

O estudo de fase II ONO-4578-08 avaliou o ONO-4578, antagonista do receptor EP4 de prostaglandina E2, em combinação com nivolumabe e quimioterapia versus placebo + nivolumabe + quimioterapia, em 226 pacientes em primeira linha de câncer gástrico/junção gastroesofágica HER-2 negativo. A adição de ONO-4578 resultou em SLP mediana de 9,0 versus 6,9 meses (HR=0,67; IC de 90%: 0,48-0,92; p=0,040), com diferença estatisticamente significativa no desfecho primário. A sobrevida global também favoreceu o ONO-4578 (mediana não atingida versus 12,7 meses; HR=0,60; IC de 95%: 0,37-0,96), com taxa de resposta objetiva de 62,0% versus 48,7% e eventos adversos graves em 53,7% versus 42,7%. Embora promissores, os dados de fase II não alteram a prática corrente, e o desenvolvimento do antagonista de EP4 nesse cenário aguarda confirmação em ensaio de fase III.

Abstr 4011
A phase 2 pivotal study of savolitinib in patients with MET-amplified gastric cancer or gastroesophageal junction adenocarcinomas.

O estudo de fase II pivotal avaliou o savolitinibe, inibidor seletivo e potente de MET, em 65 pacientes com câncer gástrico ou de junção gastroesofágica com amplificação de MET após ao menos 2 linhas prévias, confirmando a relevância desse alvo molecular no câncer gástrico avançado. A taxa de resposta objetiva foi de 32,3% na coorte pivotal, superando o limiar pré-especificado, e de 45,2% nos pacientes com MET positivo no DNAtc, com taxa de controle de doença de 63,1%, duração de resposta mediana de 9,7 meses e SLP mediana de 4,0 meses. A sobrevida global mediana foi de 6,9 meses, versus 4,8 meses em coorte exploratória de 139 pacientes que receberam outros tratamentos. Eventos adversos de grau ≥3 relacionados ao savolitinibe ocorreram em 35,4%. Esses resultados embasaram a aprovação condicional do savolitinibe pela agência regulatória chinesa (NMPA) para câncer gástrico com amplificação de MET após ao menos 2 linhas prévias.

Abstr 2513
Perioperative tislelizumab plus chemotherapy versus chemotherapy in MHC-II positive/MHC-II negative locally advanced GC/GEJC: A prospective, randomized, open-label, biomarker-driven, phase 2 trial.

O estudo randomizado de fase II Mountain-02 avaliou a expressão de MHC de classe II específico de tumor (tsMHC-II) como biomarcador preditivo de resposta à adição de tislelizumabe à quimioterapia perioperatória (SOX/XELOX) em 136 pacientes com câncer gástrico localmente avançado. Entre os pacientes tsMHC-II-positivos, a taxa de resposta patológica maior foi de 61,8% com quimioimunoterapia versus 26,5% com quimioterapia isolada (p=0,003), e a de RCp foi de 32,4% versus 8,8% (p=0,016), enquanto nenhum benefício foi observado nos tsMHC-II-negativos (resposta patológica maior de 23,5% versus 26,5% e RCp de 5,9% versus 8,8%). Não houve diferença significativa em eventos adversos entre os grupos. Os achados posicionam tsMHC-II como potencial teste diagnóstico acompanhante para seleção de candidatos à imunoterapia perioperatória em câncer gástrico, embora validação prospectiva adicional seja necessária antes de implementação clínica.

TUMORES HEPATOBILIOPANCREÁTICOS

Abstr LBA5
Daraxonrasib, a RAS(ON) multi-selective inhibitor vs chemotherapy in previously treated metastatic pancreatic adenocarcinoma (mPDAC): Primary and final analysis from the phase 3 RASolute 302 study.

O estudo de fase III RASolute 302 avaliou o daraxonrasibe (RMC-6236) , inibidor oral multisseletivo de RAS na conformação ativa (RAS-ON), versus quimioterapia de escolha do investigador, em 500 pacientes com adenocarcinoma ductal de pâncreas metastático em segunda linha. A sobrevida global mediana foi de 13,2 meses com daraxonrasibe versus 6,7 meses com quimioterapia (HR=0,40; p<0,0001), com benefício consistente no subgrupo RAS G12 (13,2 versus 6,6 meses; HR=0,40). A SLP mediana foi de 7,2 versus 3,6 meses (HR=0,49) e a taxa de resposta objetiva de 31,6% versus 11,2%. Eventos adversos de grau ≥3 relacionados ao tratamento ocorreram em 43,6% versus 57,5%, com descontinuação em 1,2% versus 11,2%. Trata-se do primeiro inibidor direto de RAS a demonstrar ganho expressivo de sobrevida global em câncer de pâncreas metastático, praticamente dobrando a expectativa de vida nessa população de prognóstico extremamente reservado.

Abstr 4017
Pemigatinib for untreated unresectable/metastatic cholangiocarcinoma (mCCA) with fibroblast growth factor receptor-2 (FGFR2) rearrangement: Phase 3 FIGHT-302 results.

O estudo de fase III FIGHT-302 randomizou 167 pacientes com colangiocarcinoma irressecável/metastático não tratado com rearranjo de FGFR2 para receber pemigatinibe (inibidor seletivo de FGFR1-3) versus gencitabina + cisplatina, tendo sido encerrado precocemente por recrutamento lento. A SLP mediana foi de 8,3 versus 6,8 meses (HR=0,58; IC de 95%: 0,39-0,87; p=0,0078), com taxa de resposta objetiva de 47,0% versus 15,5% e duração da resposta de 14,2 versus 6,3 meses. A sobrevida global mediana (24,4 versus 25,0 meses) não diferiu, resultado confundido pelo uso de inibidor de FGFR em segunda linha no braço controle. Eventos adversos de grau ≥3 ocorreram em 78% versus 67%. Segundo os autores, os resultados confirmam o paradigma atual de uso do pemigatinibe após progressão à quimioterapia de primeira linha.

Abstr 4002
IMbrave251: Final analysis of atezolizumab (atezo) + lenvatinib (lenva) or sorafenib (sora) vs lenva or sora alone in locally advanced or metastatic hepatocellular carcinoma (LA/mHCC) previously treated with atezo and bevacizumab (bev).

O estudo de fase III IMbrave251, primeiro ensaio randomizado global a abordar a linha pós-atezolizumabe + bevacizumabe em carcinoma hepatocelular avançado, avaliou a adição de atezolizumabe a lenvatinibe ou sorafenibe versus inibidor de tirosina quinase isolado em 557 pacientes. O desfecho primário de sobrevida global não foi atingido (14,6 versus 12,5 meses; HR=0,88; p=0,2115), assim como não houve ganho em SLP (4,3 versus 4,8 meses; HR=1,05). As taxas de resposta objetiva foram similares (7,5% versus 5,8%), e a duração da resposta foi de 10,2 versus 6,9 meses com a adição de atezolizumabe. O perfil de segurança foi manejável. O estudo estabelece um novo valor de referência de sobrevida global para segunda linha pós-imunoterapia em CHC, confirmando que a adição de atezolizumabe ao inibidor de tirosina quinase não melhora os desfechos de forma significativa nesse cenário.

CÂNCER DE CABEÇA E PESCOÇO

Abstr LBA6007
Ultra-low-dose immunotherapy plus oral metronomic chemotherapy versus paclitaxel-carboplatin in platinum-sensitive recurrent or metastatic head and neck squamous cell carcinoma: A randomized phase III trial.

O estudo de fase III TMC-I (Abstract LBA6007), conduzido na Índia, randomizou 422 pacientes com carcinoma escamoso de cabeça e pescoço recorrente ou metastático, em primeira linha paliativa, para receberem paclitaxel + carboplatina ou o esquema TMC-I, composto por metotrexato, celecoxibe e erlotinibe orais em regime metronômico associados a nivolumabe intravenoso em dose ultrabaixa (20 mg a cada 3 semanas). Os resultados foram favoráveis ao tratamento com o regime TMC-I: a sobrevida global mediana foi de 10,3 versus 6,2 meses (HR=0,565; IC de 95%: 0,439-0,728; p<0,001), com sobrevida global em 12 meses de 46% versus 23%, a SLP foi de 5,5 versus 2,7 meses (HR=0,465; p<0,001), e a taxa de resposta objetiva de 53,4% versus 24,1%, com menos eventos adversos de grau ≥3 (34,1% versus 46,4%) e preservação da qualidade de vida.

Abstr 6008
Amivantamab in HPV-unrelated recurrent/metastatic head and neck squamous cell cancer after disease progression on immune checkpoint inhibitor and chemotherapy: Pivotal results from the phase 1b/2 OrigAMI-4 study.

O estudo de fase 1b/2 OrigAMI-4 avaliou a formulação subcutânea do amivantamabe, anticorpo biespecífico anti-EGFR/MET, em 102 pacientes com carcinoma escamoso de cabeça e pescoço recorrente/metastático não relacionado ao HPV, após progressão a inibidor de checkpoint e platina. Com seguimento mediano de 9,0 meses, a taxa de resposta objetiva confirmada foi de 47%, com 4 respostas completas e 44 parciais, e 79% dos pacientes apresentaram redução das lesões-alvo. A duração mediana da resposta foi de 7,2 meses, o tempo mediano até a resposta foi de 6,6 semanas e a SLP mediana foi de 6,8 meses. Os eventos adversos foram relacionados principalmente à inibição de EGFR/MET, e 6% descontinuaram por toxicidade. Os dados foram publicados simultaneamente no Journal of Clinical Oncology, posicionando o amivantamabe subcutâneo como opção promissora nesse cenário de difícil tratamento.

Abstr 6006
A phase 2 study of ipatasertib in combination with pembrolizumab for first-line treatment of recurrent or metastatic squamous cell cancer of the head and neck. O estudo de fase II randomizou 52 pacientes com carcinoma escamoso de cabeça e pescoço recorrente ou metastático (PD-L1 CPS ≥1) para receber ipatasertibe (inibidor de AKT) em combinação com pembrolizumabe versus pembrolizumabe isolado, em primeira linha. A combinação mais que dobrou a taxa de resposta objetiva em relação à monoterapia com pembrolizumabe (41% versus 17%), com taxa de resposta completa de 15% versus 4,2%, taxa de controle de doença de 70% versus 42% e SLP mediana de 8,1 versus 6,2 meses, com seguimento mediano de 7,0 meses, apontando para a inibição da via AKT como estratégia para superar a imunossupressão tumoral nesse contexto. O perfil de segurança foi aceitável: diarreia foi o evento mais comum com a combinação (70,4%), com apenas um caso de grau 3. Esses dados de fase II sugerem que a combinação merece avaliação em ensaio de fase III.

CÂNCER DE PULMÃO

Abstr LBA4
Ivonescimab plus chemotherapy versus tislelizumab plus chemotherapy in previously untreated advanced squamous non–small cell lung cancer: Overall survival results of the phase 3 HARMONi-6 trial. Apresentado em sessão plenária, o estudo de fase III HARMONi-6 comparou o ivonescimabe, anticorpo biespecífico anti-PD-1/anti-VEGF, associado à quimioterapia, versus tislelizumabe + quimioterapia, em 532 pacientes com CPCNP escamoso avançado, sem tratamento prévio. Com mediana de seguimento de 21,4 meses, a sobrevida global mediana foi de 27,9 versus 23,7 meses, e o ivonescimabe reduziu o risco de morte em 34% (HR=0,66; IC de 95%: 0,50-0,87; p=0,0017), com benefício consistente nos subgrupos com PD-L1 <1% (HR=0,64) e ≥1% (HR=0,68). Trata-se do primeiro esquema a demonstrar superioridade clínica sobre um controle ativo com inibidor de PD-1 associado à quimioterapia em primeira linha no CPCNP. O perfil de segurança foi manejável. Os dados sustentam a inibição dual de PD-1 e VEGF como estratégia promissora e segura nesse contexto.

Abstr 8506 Sacituzumab tirumotecan (sac-TMT) plus pembrolizumab (P) versus pembrolizumab (P) as first-line treatment for PD-L1–positive advanced non-small cell lung cancer (NSCLC): Results from the randomized phase 3 OptiTROP-Lung05 study. O estudo de fase III OptiTROP-Lung05, publicado simultaneamente no The Lancet, avaliou o sacituzumabe tirumotecana (sac-TMT), anticorpo conjugado a droga anti-TROP2 com inibidor de topoisomerase 1, associado a pembrolizumabe versus pembrolizumabe isolado, em 413 pacientes com CPCNP avançado PD-L1 positivo, sem tratamento prévio. Com seguimento mediano de 10,5 meses, a SLP mediana não foi atingida no braço de sac-TMT + pembrolizumabe, versus 5,7 meses com pembrolizumabe isolado (HR=0,35; IC de 95%: 0,26-0,47; p<0,0001), com benefício nos subgrupos PD-L1 de 1% a 49% (HR=0,28) e ≥50% (HR=0,47) e taxas de resposta objetiva de 70,2% versus 42,0%. A sobrevida global ainda é imatura, com tendência favorável (HR=0,55; IC de 95%: 0,36-0,85). Eventos adversos de grau ≥3 ocorreram em 55,3% versus 31,4%. Trata-se do primeiro estudo de fase III a demonstrar benefício de SLP de um anticorpo conjugado a droga associado a pembrolizumabe versus pembrolizumabe em primeira linha no CPCNP PD-L1 positivo.

Abstr 8502 Lorlatinib vs crizotinib as first-line treatment for advanced ALK+ non-small cell lung cancer: 7-year update from the phase 3 CROWN study. A atualização de 7 anos do estudo de fase III CROWN, com 296 pacientes, confirmou o lorlatinibe como o padrão mais eficaz e duradouro de primeira linha em CPCNP ALK-positivo. Com mediana de seguimento de 83 meses, a SLP mediana permanece não alcançada com lorlatinibe versus 9,1 meses com crizotinibe (HR=0,19; IC de 95%: 0,13-0,26), com taxa de SLP em 7 anos de 55% versus 3%. Entre os pacientes sem progressão em 24 meses, a probabilidade de permanecer livre de progressão em 7 anos foi de 79%. Não houve novos eventos de progressão intracraniana após 30 meses de tratamento, e a mediana de tempo para progressão intracraniana não foi alcançada com lorlatinibe, contra 16,4 meses com crizotinibe (HR=0,06; redução de 94% no risco). Eventos adversos de grau 3/4 ocorreram em 77% versus 57%, sem novas descontinuações por toxicidade após 26 meses. Os dados consolidam o lorlatinibe como tratamento de escolha no CPCNP ALK-positivo avançado.

Abstr 8501 Overall survival of first-line amivantamab plus lazertinib in atypical EGFR-mutated advanced non-small cell lung cancer (NSCLC): Updated results from the CHRYSALIS-2 study. A atualização de sobrevida do estudo CHRYSALIS-2, coorte C, avaliou amivantamabe + lazertinibe como tratamento de primeira linha em pacientes com CPCNP avançado com mutações atípicas de EGFR (excluindo inserções do éxon 20 e mutações clássicas co-ocorrentes). Nos 49 pacientes virgens de tratamento avaliados, com seguimento mediano de 31,3 meses, a sobrevida global mediana foi de 41,0 meses, com 55% dos pacientes vivos em 3 anos e 46% em 4 anos. Essa sobrevida contrasta com a mediana de 19,4 meses descrita com afatinibe nessa população. Na análise previamente relatada, a taxa de resposta objetiva foi de 57% e a SLP mediana de 19,5 meses, sendo que 20% dos pacientes seguiam em tratamento de primeira linha no corte de dados, sem novos sinais de segurança. A combinação amivantamabe + lazertinibe surge como nova opção ativa para mutações atípicas de EGFR, populações até então carentes de evidências robustas.

Abstr 8006 Intracranial efficacy of tarlatamab versus chemotherapy (CTx) as second-line (2L) treatment for small cell lung cancer (SCLC): DeLLphi-304 phase 3 post hoc analysis. O estudo de fase III DeLLphi-304 já havia demonstrado que o tarlatamabe, anticorpo biespecífico anti-DLL3/anti-CD3, prolonga a sobrevida global em relação à quimioterapia em segunda linha de CPCP (sobrevida global mediana de 13,6 versus 8,3 meses; HR=0,60; p<0,001). Na ASCO 2026, uma análise post hoc do DeLLphi-304 avaliou a eficácia intracraniana nos pacientes com metástases cerebrais estáveis, tratadas ou não tratadas e assintomáticas (39% em cada braço). O tarlatamabe prolongou a SLP no SNC (6,5 versus 4,2 meses; HR=0,40; IC de 95%: 0,24-0,66), com resposta completa intracraniana em 15% versus 5% e redução tumoral no SNC ≥30% em 56% versus 38%. Nos pacientes com metástases cerebrais, a sobrevida global mediana foi de 13,9 versus 6,8 meses (HR=0,51; IC de 95%: 0,34-0,74), e a incidência de síndrome de liberação de citocinas e de neurotoxicidade foi de 54% e 9%, respectivamente. Os dados reforçam o tarlatamabe como padrão de segunda linha em CPCP, incluindo pacientes com envolvimento do SNC.

Abstr 8008 ABBV-706 as monotherapy and in combination with budigalimab in patients with relapsed/refractory (R/R) small cell lung cancer (SCLC). O estudo de fase I do ABBV-706, anticorpo conjugado a droga dirigido ao antígeno SEZ6 com inibidor de topoisomerase 1, demonstrou atividade clínica expressiva em 124 pacientes com CPCP recidivado ou refratário tratados em monoterapia, com sobrevida global mediana de 11,3 meses na população total. Na dose recomendada de fase 3 (1,8 mg/kg), como monoterapia em segunda linha (n=17), a taxa de resposta objetiva foi de 82%, com SLP mediana de 6,8 meses e sobrevida global mediana de 14,3 meses. A combinação com o anti-PD-1 budigalimabe em segunda linha (n=11) resultou em taxa de resposta objetiva de 55% e SLP mediana de 8,1 meses, sem novos sinais de segurança nem casos de pneumonite, com eventos adversos de grau ≥3 relacionados ao tratamento em 46%. Os resultados foram publicados na Nature Medicine, e o SEZ6 emerge como alvo terapêutico promissor em CPCP, justificando o desenvolvimento de estudos de fase III.

Abstr LBA8005 Concurrent thoracic radiotherapy (TRT), platinum/etoposide chemotherapy, and durvalumab immunotherapy in extensive-stage (ES) small cell lung cancer (SCLC): A phase III trial. Este estudo de fase III avaliou a adição de radioterapia torácica concomitante à quimioimunoterapia padrão com durvalumabe + carboplatina/etoposídeo em pacientes com CPCP estádio extenso. O estudo foi encerrado precocemente por futilidade e excesso de eventos adversos graves no braço de radioterapia, após a inclusão de 228 pacientes. Os resultados foram claramente negativos: a sobrevida global mediana foi de 10,0 meses com radioterapia torácica versus 11,1 meses sem radioterapia (HR=1,12; IC de 95%: 0,82-1,54; p=0,47), com SLP (5,1 versus 5,1 meses; HR=1,09) e taxa de resposta objetiva (88,5% versus 89,6%) semelhantes. O braço de radioterapia apresentou mais eventos adversos (87,8% versus 69,9%), incluindo esofagite em 47,8% dos pacientes (grau 3/4 em 10,4%), e mais mortes por causas não relacionadas ao CPCP (14,8% versus 3,5%; p=0,003). O estudo encerra a hipótese de que a radioterapia torácica concomitante à quimioimunoterapia traria benefício no CPCP extensivo e gera preocupação sobre potencial dano com essa combinação.

Abstr LBA3 Event-free survival with adjuvant selpercatinib in stage IB-IIIA RET fusion-positive NSCLC: Primary results of the phase 3 LIBRETTO-432 trial. Apresentado em sessão plenária, o estudo de fase III LIBRETTO-432 foi o primeiro ensaio randomizado a avaliar um inibidor seletivo de RET como terapia adjuvante em CPCNP com fusão de RET em estádio inicial (IB a IIIA), com 151 pacientes. Nos estádios II a IIIA (desfecho primário), o selpercatinibe reduziu o risco de recorrência, progressão ou morte em 83% versus placebo (HR=0,172; IC de 95%: 0,058-0,509; p=0,0003), com sobrevida livre de evento mediana não atingida versus 31,8 meses, resultado confirmado por revisão central independente (HR=0,125). Em 2 anos, 91,5% dos pacientes tratados com selpercatinibe permaneciam livres de evento, contra 61,1% com placebo, e na população geral o HR foi de 0,165 (p=0,0002). Os eventos adversos mais comuns foram elevações de transaminases. Os resultados estabelecem o selpercatinibe como potencial padrão de tratamento adjuvante nessa população molecularmente selecionada.

Abstr 8002 Neoadjuvant lorlatinib in stage III NSCLC harboring ALK fusion: A phase 2 multicenter study (LORIN). O estudo multicêntrico de fase II LORIN avaliou 3 ciclos de lorlatinibe neoadjuvante em 43 pacientes com CPCNP estádio III ALK-positivo, a maioria com doença inicialmente irressecável (24 pacientes). A taxa de resposta objetiva foi de 83,7%, sem progressão de doença, e 32 pacientes foram operados, com ressecção R0 em 96,9%. As taxas de RCp e de resposta patológica maior foram de 46,9% e 81,3%, respectivamente, atingindo o desfecho primário, com downstaging nodal patológico em 90,6%. Entre os 24 pacientes com doença inicialmente irressecável, 75% (18/24) atingiram a cirurgia de conversão após avaliação multidisciplinar. Com seguimento mediano de 13 meses, a taxa de sobrevida livre de evento em 1 ano foi de 97,1%, sem óbitos registrados. Os resultados posicionam o lorlatinibe como abordagem neoadjuvante promissora no CPCNP ALK-positivo estádio III, potencialmente permitindo conversão de irressecabilidade em um subgrupo expressivo.

Abstr 8001 Adjuvant erlotinib versus observation after complete resection of EGFR-mutant NSCLC: Final overall survival results of Alliance A081105. Os resultados finais de sobrevida global do estudo de fase III Alliance A081105, da plataforma ALCHEMIST, avaliaram o erlotinibe adjuvante versus placebo/observação em 390 pacientes com CPCNP EGFR-mutado (deleção do éxon 19 ou L858R) estádios IB a IIIA submetidos à ressecção completa. O recrutamento foi interrompido antes da meta de 450 pacientes após a comprovação do benefício do osimertinibe adjuvante. O erlotinibe não melhorou a sobrevida global na população por protocolo (HR=0,89; IC de 95%: 0,59-1,34; p=0,29), com sobrevida global em 5 anos de 78,6% versus 77,9%, resultado consistente nos subgrupos de deleção do éxon 19 (HR=0,94) e L858R (HR=0,82). Houve melhora da SLD (mediana de 68 versus 50 meses; HR=0,74; IC de 95%: 0,55-1,01), e apenas 37% dos pacientes completaram o tratamento planejado. O estudo reforça que o inibidor de EGFR de primeira geração oferece benefício limitado em sobrevida global no cenário adjuvante, contrastando com os dados robustos do osimertinibe (ADAURA).

Tumores Ginecológicos

Abstr 5501 Long-term survival rates and cure modeling with dostarlimab plus chemotherapy in mismatch repair deficient/microsatellite instability-high (dMMR/MSI-H) primary advanced or recurrent endometrial cancer in the ENGOT-EN6-NSGO/GOG-3031/RUBY trial. O seguimento estendido do estudo ENGOT-EN6-NSGO/GOG-3031/RUBY (mediana de 55,6 meses) demonstrou potencial curativo da adição de dostarlimabe à quimioterapia com carboplatina e paclitaxel em pacientes com câncer de endométrio avançado/recorrente dMMR/MSI-H. Apenas 4 novos eventos de progressão ocorreram em 2,5 anos adicionais de seguimento, e a SLP em 4 anos foi de 57,9% com dostarlimabe versus 15,7% com placebo. Modelos estatísticos de cura estimaram que 54% das pacientes tratadas com dostarlimabe foram consideradas curadas, com curvas modeladas que reproduziram o platô observado nas curvas de Kaplan-Meier. Os dados reposicionam a discussão sobre intenção curativa no câncer de endométrio dMMR/MSI-H e consolidam dostarlimabe + quimioterapia como padrão nessa população.

Abstr 5502 Updated overall survival analysis and examination of subsequent therapy in endometrial cancer (EC) patients (pts) treated with pembrolizumab plus carboplatin/paclitaxel (CP) as compared to CP plus placebo (PBO) in the NRG-GY018 trial. A atualização de sobrevida global do NRG-GY018 (810 pacientes) confirmou benefício sustentado do pembrolizumabe + carboplatina/paclitaxel em câncer de endométrio avançado/recorrente. Na coorte dMMR, a sobrevida em 48 meses foi de 80% versus 60% (HR=0,53; IC de 95%: 0,32-0,89), apesar de ao menos 55% das pacientes do braço placebo terem recebido imunoterapia após o estudo. Na coorte pMMR, a sobrevida global mediana foi de 46,9 versus 35,1 meses (HR=0,84; IC de 95%: 0,66-1,06), vantagem de 11,8 meses mantida mesmo com ao menos 57% das pacientes do braço placebo recebendo imunoterapia subsequente (mais frequentemente lenvatinibe + pembrolizumabe). Os dados reforçam a incorporação precoce do pembrolizumabe como estratégia superior ao tratamento sequencial, independentemente do status de MMR.

Abstr 5503 Overall survival subgroup analyses for prior taxane use in the phase 3 ROSELLA trial of relacorilant plus nab-paclitaxel versus nab-paclitaxel monotherapy in patients with platinum-resistant ovarian cancer (GOG-3073, ENGOT-ov72, APGOT-Ov10, LACOG-0223, and ANZGOG-2221/2023). O estudo de fase III ROSELLA avaliou a adição do relacorilanto, antagonista seletivo do receptor de glicocorticoide de primeira classe, ao nab-paclitaxel em 381 pacientes com câncer de ovário platina-resistente. Na análise final de sobrevida global, com seguimento mediano de 24,8 meses, a combinação reduziu o risco de morte em 35% (HR=0,65; IC de 95%: 0,51-0,83; p=0,0004), com sobrevida global mediana de 16,0 versus 11,9 meses. Praticamente todas as pacientes (99,5%) haviam recebido taxano previamente, e o benefício foi consistente independentemente do intervalo livre de taxano, seja de até 6 meses (HR=0,60; diferença mediana de 5,7 meses) ou superior a 6 meses (HR=0,66; diferença de 3,6 meses), e do uso de taxano no regime mais recente (HR=0,67) ou não (HR=0,63). Esses dados de sobrevida global demonstram que o relacorilanto representa um avanço relevante em um cenário historicamente carente de novas opções terapêuticas.

Abstr 5505 CHRONO: A randomized phase II trial of the chronology of surgery after neoadjuvant chemotherapy for ovarian cancer. O estudo randomizado de fase II CHRONO abordou a questão inédita de se a cirurgia citorredutora de intervalo poderia ser postergada para após 6 ciclos de quimioterapia neoadjuvante (em vez do padrão de 3 ciclos) em 209 pacientes com câncer epitelial de ovário avançado elegíveis para ressecção completa após os primeiros 3 ciclos. A taxa de citorredução completa foi de 83,2% versus 90%. Com seguimento mediano de 40,4 meses, a SLD mediana foi de 20,2 meses com cirurgia após 3 ciclos versus 23,4 meses após 6 ciclos (HR=0,88; IC de 95%: 0,63-1,24; p=0,48), e as complicações pós-operatórias maiores em 30 dias foram de 5% versus 11% (p=0,11), sem óbitos. O ensaio não demonstrou diferença significativa em SLD, morbidade grave, mortalidade ou qualidade de vida entre as estratégias. Os resultados mantêm a abordagem cirúrgica após 3 ciclos como padrão de prática, e novos estudos são necessários para esclarecer o papel dessa alternativa em pacientes altamente quimiossensíveis.

Abstr 5506 A randomized phase II trial of mirvetuximab soravtansine in folate receptor alpha (FRα)–high recurrent ovarian cancer eligible for platinum-based chemotherapy (MIROVA/AGO-OVAR 2.34). O estudo randomizado de fase II MIROVA/AGO-OVAR 2.34 não atingiu seu desfecho primário de SLP na avaliação da combinação de mirvetuximabe soravtansina + carboplatina (seguida de manutenção com mirvetuximabe soravtansina) versus quimioterapia padrão com carboplatina (seguida de inibidor de PARP, quando aplicável) em 145 pacientes com câncer de ovário recorrente FRα-alto elegível para platina. A SLP mediana foi de 9,53 versus 9,79 meses (HR=1,00; IC de 95%: 0,68-1,46; p=0,996). A população era amplamente pré-tratada, com 77,2% expostas previamente ao bevacizumabe e 66,9% a inibidor de PARP. Trata-se do primeiro ensaio randomizado a combinar platina com um anticorpo conjugado a droga no cenário platina-sensível.

Abstr 5517 Effects of short-term fasting compared to free diet in ovarian cancer patients: Results from a two-arm pilot randomized trial. Este ensaio piloto randomizado avaliou o impacto do jejum de curto prazo (36 horas antes e 24 horas após cada ciclo) versus dieta livre em 36 pacientes com câncer de ovário seroso de alto grau avançado em quimioterapia neoadjuvante com carboplatina e paclitaxel. O desfecho primário foi atingido: após três ciclos, a insulina aumentou no grupo de dieta livre e diminuiu no grupo de jejum (p=0,01). Uma maior resposta à quimioterapia foi mais frequente com jejum (58,8% versus 17,6%; p=0,03), e, com seguimento mediano de 18 meses, a SLP mediana foi maior no grupo de jejum (38 versus 24 meses; p=0,045). Trata-se de intervenção de baixo custo e implementável em qualquer cenário. Apesar de preliminares, os dados geram hipóteses relevantes e apontam para a necessidade de ensaios maiores para definir o papel do jejum na potencialização da quimioterapia em câncer de ovário.

Tumores do Sistema Nervoso Central

Abstr LBA2007 Efficacy and safety of asandeutertinib versus osimertinib as first-line treatment in EGFR-mutated NSCLC patients with brain metastases: Interim analysis of an open-label, multicenter, randomized, pivotal phase II study (ESAONA). O estudo ESAONA, de fase II pivotal, randomizou 224 pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células (CPCNP) EGFR-mutado e metástases cerebrais estáveis para receber o asandeutertinibe, um novo inibidor de tirosina quinase de EGFR, ou osimertinibe como tratamento de primeira linha. A taxa de resposta objetiva intracraniana por revisão central independente foi de 95,5% com asandeutertinibe versus 79,6% com osimertinibe (p=0,0004), e a SLP intracraniana mediana não foi atingida no braço do asandeutertinibe, contra 17,5 meses com osimertinibe (HR=0,46; IC de 95%: 0,28-0,76; p=0,0020), com resultados consistentes na avaliação do investigador. A SLP sistêmica também favoreceu o asandeutertinibe (HR=0,64; IC de 95%: 0,41-1,00; p=0,0473), e a sobrevida global ainda é imatura. Eventos adversos graves relacionados ao tratamento ocorreram em 10,8% versus 7,1%. O estudo marca a primeira vez que um inibidor de EGFR demonstrou superioridade sobre o osimertinibe em resposta e SLP intracranianas nesse contexto, reposicionando o asandeutertinibe como potencial nova opção de primeira linha para pacientes com CPCNP EGFR-mutado e metástases cerebrais.

Abstr 2003 Neoadjuvant fractionated stereotactic radiotherapy followed by surgical resection for brain metastases: A multicenter, single arm phase II trial (NEO-TACTICS). O estudo de fase II NEO-TACTICS avaliou o uso de radioterapia estereotáxica fracionada pré-operatória (30 a 35 Gy em 5 frações) seguida de ressecção cirúrgica em 57 pacientes com metástase cerebral de 2 a 5 cm com indicação cirúrgica, em 14 centros. A incidência cumulativa de recidiva local no leito cirúrgico em 6 meses (desfecho primário) foi de 4,3% e, em 12 meses, de 16,4%. Não houve disseminação leptomeníngea nem necrose por radiação sintomática em 6 e 12 meses, e a necrose assintomática ocorreu em 5,9% e 8,0%, respectivamente. A sobrevida global foi de 86,3% em 6 meses e 76,5% em 12 meses, a função neurocognitiva foi amplamente preservada e eventos adversos de grau ≥3 ocorreram em 5,3%. Os achados posicionam a abordagem neoadjuvante com radioterapia estereotáxica fracionada como alternativa promissora à radioterapia pós-operatória, que merece investigação comparativa.

Abstr 2010 A global, randomized, double-blinded, phase 3 trial of vorasidenib vs placebo in patients with grade 2 glioma with an IDH1/2 mutation (INDIGO): Updated efficacy and safety. O seguimento estendido (mais de três anos) do estudo de fase III INDIGO, que randomizou 331 pacientes com glioma grau 2 com mutação IDH1/2 pós-ressecção para vorasidenibe ou placebo, confirmou a durabilidade dos benefícios previamente observados. Com seguimento mediano de 41,6 meses, a SLP mediana por avaliação do investigador nos pacientes randomizados para vorasidenibe atingiu 51,6 meses, com 61,3% livres de progressão e 76,0% sem necessidade de quimiorradioterapia ou cirurgia em 42 meses. O tempo mediano até a próxima intervenção não foi atingido. A taxa de resposta objetiva foi de 32,7%, e 58,3% dos pacientes seguiam em tratamento, sem novos sinais de segurança. O estudo incluiu oligodendrogliomas (n=172) e astrocitomas (n=159), reforçando o vorasidenibe como opção de tratamento sistêmico precoce pós-cirurgia no glioma de baixo grau IDH-mutado.

Abstr 2015 Azeliragon, a RAGE inhibitor, plus temozolomide and radiotherapy in patients with newly diagnosed glioblastoma: Final results from a dose-finding phase in the CAN-201 NDG trial. O estudo de fase Ib/II CAN-201 NDG avaliou o azeliragon, inibidor oral do receptor para produtos finais de glicação avançada (RAGE), em combinação com radioterapia e temozolomida em 33 pacientes com glioblastoma IDH-selvagem recém-diagnosticado. Não houve toxicidades limitantes de dose, e a dose de 50 mg/dia foi definida como recomendada para a fase 2. As toxicidades de grau 3/4 mais frequentes (trombocitopenia e linfopenia) foram atribuídas à radioterapia ou à temozolomida, e os eventos possivelmente relacionados ao azeliragon foram de grau 1/2. Com seguimento mediano de 11 meses, a SLP mediana foi de 7,9 meses (15,6 meses com MGMT metilado e 6,7 meses com MGMT não metilado), e a sobrevida global em 12 meses foi de 61,5%. Os dados de eficácia, ainda em maturação, levantam a hipótese de que a modulação da via RAGE possa potencializar o efeito da quimiorradioterapia padrão nessa neoplasia de prognóstico reservado, com seguimento em andamento para avaliação dos desfechos de sobrevida.

Melanoma e Sarcoma

Abstr 11500 Primary results of the phase 3 peak study of bezuclastinib + sunitinib vs sunitinib monotherapy in advanced gastrointestinal stromal tumors (GIST). O estudo de fase III Peak randomizou 413 pacientes com tumor estromal gastrointestinal avançado previamente tratados com imatinibe para receber bezuclastinibe, inibidor seletivo de KIT do tipo 1, associado a sunitinibe, versus sunitinibe em monoterapia. A combinação reduziu o risco de progressão ou morte em 50% (HR=0,50; IC de 95%: 0,39-0,65; p<0,0001), com SLP mediana de 16,5 meses versus 9,2 meses, e a taxa de resposta objetiva elevou-se de 26% para 46% (p<0,0001). Os dados de sobrevida global ainda são imaturos. A combinação foi bem tolerada, com maiores taxas de elevação de transaminases e anemia de grau ≥3, manejáveis com ajuste de dose. Os resultados representam o primeiro avanço expressivo em segunda linha do tumor estromal gastrointestinal em mais de uma década.

Abstr LBA2 SARC041: A phase 3 randomized double-blind study of abemaciclib versus placebo in patients with advanced dedifferentiated liposarcoma. Selecionado para sessão plenária, o estudo de fase III SARC041 avaliou o abemaciclibe, inibidor de CDK4/6, em 108 pacientes com lipossarcoma desdiferenciado avançado, subtipo raro e agressivo de sarcoma com opções sistêmicas de benefício modesto (trabectedina e eribulina, com SLP mediana de cerca de 2 meses). A SLP mediana foi de 9,7 meses com abemaciclibe, contra apenas 1,5 mês com placebo (HR=0,39; IC de 95%: 0,25-0,59; p<0,001), com redução de 61% no risco de progressão ou morte. A sobrevida global mediana não foi alcançada no braço de abemaciclibe, versus 25,5 meses com placebo (HR=0,55; p=0,077), e a taxa de resposta objetiva foi de 9,3% versus 0%. Trata-se do primeiro estudo de fase III positivo nessa doença, fundamentado na amplificação de CDK4 como mecanismo molecular central, e que deverá estabelecer o abemaciclibe como novo padrão terapêutico.

Abstr 9501 A phase II study of neoadjuvant ipilimumab-nivolumab-relatlimab (INR) combination immunotherapy in high-risk resectable melanoma. O estudo de fase II NeoINR avaliou o esquema neoadjuvante triplo de ipilimumabe, nivolumabe e relatlimabe, bloqueando simultaneamente CTLA-4, PD-1 e LAG-3, em 20 pacientes com melanoma ressecável de alto risco em estádio clínico IIIB a IIID. Entre os 16 pacientes operados, a taxa de RCp foi de 63% (10/16) e a taxa de resposta patológica maior foi de 69% (11/16), com 5 pacientes sem resposta patológica. Nenhum paciente com resposta patológica maior recebeu terapia adjuvante, e não houve recidivas com seguimento mediano de 9,8 meses. Dos demais, um paciente morreu antes da cirurgia, um recusou a cirurgia após resposta parcial profunda, um aguardava cirurgia e um permanecia na fase neoadjuvante. Eventos adversos de grau 3 relacionados ocorreram em 26%, com um caso de miocardite de grau 5. Os resultados posicionam o triplo bloqueio imune como estratégia neoadjuvante promissora em melanoma ressecável de alto risco, que merece investigação adicional.

Abstr LBA9503 Darovasertib plus crizotinib vs investigator’s choice as first-line treatment for patients with HLA-A2 negative metastatic uveal melanoma: Primary results from the OptimUM-02 trial. Apresentado em sessão de últimas descobertas, o estudo de fase II/III registracional OptimUM-02 avaliou darovasertibe e crizotinibe versus tratamento de escolha do investigador em 313 pacientes com melanoma uveal metastático de primeira linha negativos para o alelo HLA-A02:01, subgrupo que representa 50% a 70% dos casos e não dispõe de terapia aprovada, uma vez que o tebentafuspe é restrito a pacientes HLA-A02:01-positivos. A combinação reduziu o risco de progressão ou morte em 58% (HR=0,42; p<0,0001), com SLP mediana de 6,9 versus 3,1 meses. A taxa de resposta objetiva foi de 37,1% (incluindo 2,4% de respostas completas) versus 5,8%, com taxa de controle de doença de 73,3% versus 31,1%. Diarreia (89,5%) e náuseas (78,2%) foram os eventos adversos mais comuns com a combinação, e eventos adversos graves relacionados ocorreram em 9,2% versus 25,3%. Os resultados representam a potencial primeira opção terapêutica aprovada para essa população.

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